Freire: "O Brasil precisa começar a crescer na excelência"

Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, ministro da Cultura falou da necessidade de reforma do Seminário de Olinda e a ampliação das Parcerias Público Privadas (PPPs).

Ministro da Cultura, Roberto Freire, saiu em defesa da indicação de Maria do CéuMinistro da Cultura, Roberto Freire, saiu em defesa da indicação de Maria do Céu - Foto: Arthur Mota / Folha de Pernambuco

Tatiana Meira

Editora de Diversão & Arte 

Três meses depois de assumir a pasta da Cultura, o ministro Roberto Freire, 74 anos, vem cumprindo esta semana intensa agenda de eventos e visitas ao Recife e Olinda. Em entrevista na tarde desta sexta-feira (10) ao programa "Conexão Notícias", apresentado por Jota Batista na Rádio Folha FM 96,7, e que contou com a participação de Tatiana Meira, editora do Diversão&arte da Folha de Pernambuco, o gestor falou sobre diversos temas atuais do setor, como as mudanças na Lei Rouanet e o Fundo Nacional de Cultura, a necessidade de reforma do Seminário de Olinda e a ampliação das Parcerias Público Privadas (PPPs).

Entre as novidades, anunciou que a próxima edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo irá itinerar para outras cidades brasileiras, como Garanhuns (PE) e Fortaleza (CE), em parceria para utilizar a estrutura do Serviço Nacional do Comércio (Sesc). "E estamos quase que ultimando um Prêmio Literário Ferreira Goulart, que era também meu amigo pessoal", contou Freire, que volta ao Recife para ver o Galo da Madrugada, no dia 25 de fevereiro, o sábado de Carnaval.

Ele comentou o momento conturbado do Governo Temer. "Quem assumiu (primeiro) foi Marcelo Calero e foi a maior crise, por causa das ocupações.Os sinais são mais alvissareiros e positivos. Tenho que admitir que quando eu cheguei, algum caminho já tinha sido andado. Mesmo que possa ter alguns que não admitem o diálogo, pelo menos se teve um silêncio respeitoso. Nenhum grande atrito. São pouquíssimas desavenças e um excelente diálogo com o setor do cinema e do audiovisual. Os cineastas brasileiros estava completamente ausente da política nacional, pois o Conselho Superior de Cinema não tinha nenhum cineasta", ressalta Freire, contando que o conselho estava ativo há dois anos, mas apenas homologava, não tomava decisões, nunca havia votado uma resolução.

Para o órgão, ele convidou nomes como os cineastas Bruno Barreto e Cacá Diegues, que estão integrados e querendo discutir. "O Brasil precisa começar a crescer na criatividade, na excelência. Não é só um número, é também qualidade", argumenta ele sobre o Festival de Berlim, que terá 12 produções brasileiras, incluindo o longa "Joaquim", do diretor pernambucano Marcelo Gomes, concorrendo ao prêmio principal com a história de um mártir nacional, Tirandentes. O setor do cinema cresce cerca de 9% ao ano.

Seminário 

Freire visitou Dom Fernando Saburido na Arquidiocese de Olinda e Recife e comentou sobre a preocupação com a preservação e restauração do Seminário de Olinda, onde teve início o movimento para a Revolução Pernambucana de 1817, que completa 200 anos no dia 6 de março. E ainda o espaço do projeto Aria Social, em Piedade, tocado há 25 anos pela empresária Cecília Brennand, onde ouviu apresentação de dança dos alunos, ao som de um frevo inédito.

Entre os projetos que deseja resgatar, estão o Pixinguinha, que unia shows de cantores experientes, com apresentações de abertura de novos talentos. Na Fundação Nacional de Artes (Funarte), para cujo comando escolheu o ator Stepan Necessian, também quer trazer de volta o Mambembe, contemplando grupos de teatro.

"A Funarte tem uma capacidade de fomento significativa, tem maior flexibilidade para fazer. O Pixinguinha foi um projeto bastante exitoso, que aqui funcionava no Teatro do Parque. Provavelmente, se quisermos retormar o Pixinguinha, eles vão chegar lá", destacou, em relação à necessidade de verbas para retormar o teatro centenário, fechado para reformas desde 2010, mas que vem se deteriorando desde então, tendo perdido até mesmo equipamentos como um dos pianos, comido pelos cupins.

Sobre a Lei Rouanet, o ministro defende que não se deve demonizá-la, mas discutir como melhorá-la na sua aplicação. Para sanar as distorções, quer limitar os tetos dos valores dos projetos, através de uma instrução normativa.

"Não é a lei a responsável pelos desvios e sim os gestores, a fiscalização que não existiu e a má fé de muitos que desviaram. Mas, por exemplo, o Paço do Frevo existe por conta da Lei Rouanet", aponta, recordando que a lei foi criada por Celso Furtado, durante o governo de Fernando Collor.

"Há uma crítica e a gente precisa enfrentar. Onde a atividade cultural é muito mais significativa, há uma distorção. Nós estamos limitando o teto dos projetos. Em R$ 2 milhões para shows e espetáculos individuais de música erudita ou popular, com base na média de captação, não é nada aleatório. Outro teto fixado em até 10 milhões e ainda em um valor entre R$ 30 e 40 milhões. Se o patrocinador quiser aplicar mais que isso, terá que investir no Norte, Nordeste e Centro-Oeste".

Polêmica 

Sobre as críticas à Maria do Céu, representante do MinC no Nordeste escolhida por ele, de pessoas da classe artística que afirmaram que a empresária e militante da causa LGBT entende de fazer shows e de administrar seus negócios na noite, mas não saberia dar conta da gestão, o ministro rebate. Já que nesta segunda-feira (13), o MinC local ganha nova sede, depois de funcionar temporariamente no antigo colégio Nóbrega, ao lado da Universidade Católica (depois de ter saído de outro endereço na rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, que sofreu um incêndio). A solenidade para a assinatura da cessão do imóvel Casarão Solar Francisco Ribeiro Pinto Guimarães, localizada na avenida 17 de agosto, 2187, em Casa Forte, e pertencente à Fundação Joaquim Nabuco para o Ministério da Cultura (MinC), será às 9h. Segundo ele, foi Maria do Céu que se mobilizou para conseguir a mudança.

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