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Funcionários trans da Netflix organizam protesto contra especial de humorista americano

Em "The Closer", o humorista Dave Chappelle afirma que "o gênero é um fato" e critica a sensibilidade da comunidade trans

Nesta foto de arquivo tirada em 27 de outubro de 2019, o comediante Dave Chappelle chega ao Kennedy Center para o Prêmio Mark Twain de Humor Americano em Washington, DC Netflix defendeu sua decisão de exibir um especial de Dave Chappelle criticado como trNesta foto de arquivo tirada em 27 de outubro de 2019, o comediante Dave Chappelle chega ao Kennedy Center para o Prêmio Mark Twain de Humor Americano em Washington, DC Netflix defendeu sua decisão de exibir um especial de Dave Chappelle criticado como tr - Foto: Alex Edelman / AFP

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Funcionários transgêneros da Netflix estão planejando um protesto contra um especial de comédia americano acusado de transfobia, após o chefe de conteúdo da plataforma defender o lançamento do programa, informou a imprensa local nesta quinta-feira (14).

Em "The Closer", o humorista Dave Chappelle afirma que "o gênero é um fato" e critica a sensibilidade da comunidade trans. O episódio foi condenado por vários grupos LGBTQ.

Uma mensagem que circulou internamente na gigante do streaming esta semana entre os trabalhadores trans acusa a empresa de "lançar continuamente conteúdo que fere a comunidade trans e seguir sem criar conteúdo que represente e valorize as pessoas trans", segundo The Verge. A greve está prevista para a próxima quarta-feira.

A identidade trans se tornou um tema controverso na indústria do entretenimento nos últimos anos. JK Rowling, a autora de "Harry Potter", por exemplo, foi altamente criticada por defender que ser mulher é algo biológico.

O anúncio deste protesto ocorre depois que o co-diretor executivo da Netflix, Ted Sarandos, enviou um e-mail - ao qual vários veículos tiveram acesso - afirmando que o especial de Chappelle era popular, uma importante forma de liberdade artística, e não poderia causar danos no mundo real.

Anteriormente, ele já havia dito aos funcionários que a Netflix não retiraria do ar o programa, que estreou na plataforma na semana passada.

Três empregados da Netflix foram suspensos após interromperem uma reunião virtual de executivos para discutir a questão. Porém, Terra Field, uma engenheira de software que se identifica como queer e trans, tuitou na terça-feira que foi "reintegrada" e que se sentia “inocentada”.

Em sua última apresentação, Chappelle disse que não odeia pessoas trans e conta uma longa anedota sobre uma comediante trans, que descreve como amiga, que o defendeu em conflitos anteriores com a comunidade.

Chappelle, de 48 anos, também foi acusado de transfobia por outros especiais exibidos na Netflix.

A Netflix não respondeu às mensagens da AFP até a publicação dessas informações.

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