Fundação Joaquim Nabuco chega aos 70 anos

A Fundação Joaquim Nabuco inicia as comemorações de seu aniversário, com exposição, exibição de filme e ampliação de acervo

Com atividades nas áreas educativa e cultural, instituição foi criada por Gilberto Freyre para marcar centenário do abolicionista NabucoCom atividades nas áreas educativa e cultural, instituição foi criada por Gilberto Freyre para marcar centenário do abolicionista Nabuco - Foto: Divulgação

A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) entra na maturidade dos 70 anos com vigor e resistência para novos séculos. A instituição, criada a partir do empenho do escritor Gilberto Freyre, quando deputado federal, para marcar o centenário do abolicionista Joaquim Nabuco, fugindo "ao efêmero e ao convencional das cerimônias simplesmente festivas e acadêmicas" aliada à proposta de acrescentar "...alguma coisa de duradouro e fora das convenções" à data, dá início a um ano comemorativo em suas diversas áreas de atuação cultural e educativa. Paralelamente, serão comemorados os 40 anos do Museu do Homem do Nordeste (Muhne).

A semana de programações especiais para marcar as datas começa neste sábado (21) com a exibição do filme "Veneza Americana", de 1925, e a abertura da exposição "Um real, um real, um real"; e segue na próxima terça-feira, 24, com a entrega dos últimos objetos do acervo de Joaquim Nabuco por seu bisneto, Pedro Nabuco, durante o lançamento das marcas Fundaj 70 anos e Museu do Homem do Nordeste 40 anos, no campus da instituição na avenida 17 de Agosto, em Casa Forte.

São cartões-postais, fotografias, manuscritos e diários - um deles de 1988, ano da abolição da escravatura, que será entregue em mãos. As doações vão completar o acervo em posse da Fundaj, há 44 anos, e ajudar na construção da figura do abolicionista. "Vamos fechar a história de Joaquim Nabuco e, esperamos, ainda este ano, colocar o acervo em exposição para o público", afirma a presidente da Fundaj, Ivete Lacerda.

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Ainda na terça-feira, no Campus Ulisses Pernambucano, no Derby, será aberta uma exposição com publicações sobre a instituição e seu acervo ao longo dos 70 anos, inclusive raridades, e catálogos de exposições comemorativas de outros aniversários. A Coordenação de Artes irá expor a coleção de videoarte em monitores espalhados pelo prédio, colocando à disposição do público mais de 150 títulos nacionais e internacionais, muitos deles produzidos por pioneiros, de vários países.

No próximo dia 31, a Fundaj oferece uma amostra da sua atuação ambiental, lançando, junto com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o "Atlas das Caatingas", no Seminário Embrapa Semiárido, em Petrolina."O Atlas vai preencher uma lacuna sobre uma publicação completa e atualizada com mapas, fotos de satélite e levantamentos florísticos das áreas de conservação na Caatinga. É um trabalho aguardado pela comunidade científica que estuda o bioma", comenta Ivete Lacerda.

   Cinema e artes visuais

O filme "Veneza Americana" é um marco do primeiro ciclo do cinema do Recife. Produzido pelos italianos Ugo Falangola e Jota Cambieri, em 1925, pela produtora Pernambuco-Film, é um longa-metragem feito sob encomenda do então governador Sérgio Loreto para registrar a modernização da cidade como a construção da Avenida Boa Viagem e políticos de destaque - entre eles Loreto e o vice-presidente do Brasil, Estácio Coimbra.

A exibição será gratuita, no Cinema do Museu, em Casa Forte, às 16h, com trilha sonora apresentada ao vivo pelo autor, o cantor e compositor Alex Mono. O filme terá audiodescrição para deficientes visuais e intérprete de libras para tradução dos debates após a exibição.

Mostra sobre o trabalho de vendedores ambulantes,

Mostra sobre o trabalho de vendedores ambulantes, "Um real, um real, um real" entra em cartaz no Museu do Homem do Nordeste - Crédito: Coleção Wilson Carneiro da Cunha /Divulgação


Já a exposição "Um real, um real, um real" será aberta às 17h30, na Galeria Mauro Mota, também na Fundaj de Casa Forte. O título faz menção à uma das expressões mais comuns entre os vendedores ambulantes, tema da mostra - uma releitura da exibida em 1980. No conteúdo, fotografias, dos anos 1960 e 1970, e peças raras como um tabuleiro de doce japonês e uma máquina fotográfica de lambe-lambe, ambos do Recife, além de um carrinho de café e uma baiana do acarajé, da Bahia.

 

 

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