Fundação Joaquim Nabuco reabre complexo cultural do Derby

Espaço volta replete de novidades, com salas reestruturadas e sessões gratuitas de cinema

Cinema retorna com 160 assentosCinema retorna com 160 assentos - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A unidade da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) localizada no Derby será, enfim, reaberta. Depois de uma longa reforma, que durou mais de três anos, e um investimento superior a R$ 8 milhões pelo Ministério da Educação, o Edifício Ulysses Pernambuco - que abriga um complexo cultural - volta cheio de novidades: a sala de cinema vem reestruturada, o prédio agora conta com um pátio interno, há vitrais restaurados somando à arquitetura original do local e a Galeria Vicente do Rego Monteiro reestreia com uma exposição sobre raça e corpos. Espaços novos feitos para o público recifense, que esteve presente ao longo dos 20 anos de história do edifício.

O Cinema do Derby, lugar de prestígio para a cena cinéfila pernambucana, é reinaugurado com estilo: na primeira semana de exibições (do dia 27 de março a 4 de abril), a curadoria traz uma programação gratuita e recheada de filmes como "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos, "Chuvas de Verão", de Cacá Diegues, e "Câmara de Espelhos", de Déa Ferraz. É que, nessa reabertura, o Cinema pretende homenagear o Cinema Novo e discutir a atuação das mulheres cineastas no estado, além de saudar o jornalista Geneton Moraes Neto através do movimento Super-8.

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"É uma forma de agradecer a paciência dos nossos cinéfilos", diz Ana Farache, coordenadora dos dois cinemas da Fundação Joaquim Nabuco, o do Museu do Homem do Nordeste - em Casa Forte - e do Derby. "Estamos fazendo todo esforço não só para que a qualidade da programação esteja cada vez melhor, mas para que a sala esteja mais confortável. Instituímos, por exemplo, a bilhetagem eletrônica e dispomos agora de 160 assentos na sala de cinema", revela.

Com duas salas à disposição da curadoria, a coordenadora acredita que agora ficará mais fácil de exibir títulos mais diversos, focando sempre na linha independente que o Cinema da Fundação sempre teve. "Uma sala só era pouco para tanta coisa boa", brinca, referindo-se aos dois anos e três meses em que a instituição dispôs apenas do Cinema do Museu. "Estamos fechando a montagem da programação para que ela se mescle entre os dois cinemas. Não queremos deixar o público do Museu sem o que ele está prestigiando tão bem", comenta, ressaltando que o público cresceu em 35% no ano passado.

Equipamento cultural é reabre no dia 26 de março

Equipamento cultural reabre no dia 26 de março - Crédito: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco



Além da sala de cinema tradicional, a unidade Derby contará também com a sala João Cardoso Ayres, que poderá servir para encontros, exibição de cineclubes e mostras que estejam disponíveis em outras mídias. Na semana de estreia, a sala exibirá, na terça-feira, o documentário "Roteiro para construir EUdifícios", dirigido por Luiz Felipe Botelho, que perpassa as obras da reforma do próprio prédio da Fundaj.

Ingressos
O valor do ingresso entre os dois cinemas será o mesmo, custando R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia-entrada). Projetos como o "Alumiar", de cinema acessível, e o "Sempre Aos Domingos", com exibição de filmes clássicos pela manhã nos fins de semana, também serão levados ao novo espaço. "Talvez montemos uma programação diferenciada, com exibições aos sábados no Derby e domingos no Museu, mas ainda estamos resolvendo", adianta Ana. Por enquanto, uma sessão do "Alumiar" será exibida na quarta-feira, às 14h30, com "O Canto do Mar" disponível nas três modalidades de acessibilidade comunicacional.

Artes visuais
“Raça, classe e distribuição de corpos”, exposição que entra em cartaz na segunda-feira, na Galeria Vicente do Rego Monteiro, vem como uma forma de refletir sobre questões sociais através do acervo da Fundaj, que dispõe de fotografias, documentos, vídeos e afins. “Ficou claro para mim que uma questão presente em boa parte desse acervo é justamente a representação dos corpos em determinados lugares de lazer, de moradia, e como esses corpos estão atravessados por questões de classe e raça”, explica o curador Moacir dos Anjos, responsável pela montagem da exposição. “Embora nós tenhamos continuado na galeria do Museu, acredito que a volta de um equipamento cultural tão central - e que marcou algumas gerações em termos não só do contato com o cinema, mas também com as artes visuais -, em um momento em que a cidade está tão carente de espaços reflexivos, é algo a celebrar”, opina.

Cursos e palestras
A Escola de Inovação e Políticas Públicas também arruma nova casa na unidade Derby. Para marcar a inauguração da nova sede, serão promovidos cursos e palestras totalmente gratuitos. As atividades serão realizadas entre a próxima segunda-feira (2) e a sexta-feira (6) e incluem "A arte de se comunicar bem", com o jornalista Vinicius Werneck Barbosa Diniz, todos os dias das 14h às 18h e "Design Thinking para Inovação Social", com o analista Bruno Rizardi, todos os dias das 8h às 12h. Quanto às palestras, destaque para "O jornalismo investigativo e a construção da memória no Brasil", com a jornalista Daniela Arbex, autora de "Todo dia a mesma noite" e "Holocausto Brasileiro", na segunda-feira, às 19h30.

Sessões de cinema
"Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos - 27/03, às 20h
"Saudade", de Paulo Caldas - 28/03, às 18h20
"Chuvas de Verão", de Cacá Diegues - 30/03, 17h50
"Câmara de Espelhos", de Déa Ferraz + Debate -30/03, às 19h
Mostra Geneton Moraes Neto + Debate com Rubens Machado - 31/03, às 19h

 

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