Funk com sotaque pernambucano

Cantora Doralyce Gonzaga se joga no gênero para falar sobre o papel da mulher, sem querer cair em limitações musicais

Artista lançou o single “Miss Beleza Universal” no começo deste mêsArtista lançou o single “Miss Beleza Universal” no começo deste mês - Foto: Alexandra Arakawa/Divulgação

 

Há três anos vivendo no Rio de Janeiro, a pernambucana Doralyce Gonzaga agora quer dialogar de forma mais direta com os cariocas. Embora a carreira musical tenha sido embasada até agora na MPB com traços regionais, a cantora e compositora preferiu se arriscar em um funk na hora de protestar contra o padrão estético que é imposto às mulheres. O sotaque empregado no single “Miss Beleza Universal”, lançado no começo do mês, entrega a origem forasteira de Doralyce em relação ao estilo, mas não impede que a cantora soe completamente à vontade.

“Eu sou arte-educadora na escola Oscar Tenório e, nos últimos dois anos, dou aula de composição musical. O ritmo que eles mais gostam é o funk e a gente acabou fazendo muitos por conta disso”, explicou ela, sobre o exercício constante de explorar o ritmo, que se inseriu na sua rotina naturalmente. “Aqui eu vi que o funk era um lugar de protesto e também de subjugação da mulher. Aí eu não entendi muito bem qual era o seu papel. Vim para brincar com isso, porque acho que anarquismo cultural é o nome do que eu faço”, denomina ela, que reconhece que algumas artistas também buscam empoderamento feminino através do segmento, mas acredita que seu discurso é mais abrangente.

“No funk, a objetificação das mulheres empoderou várias artistas para objetificarem os homens. Essa não é a minha linguagem, não quero competir com ninguém”, esclareceu. Sua militância se aproxima mais da linha seguida por MC Carol e Karol Conka. Inclusive, convidou o mesmo produtor das duas, Léo Justi, para trabalhar no single em parceria com Jonatan da Providência. “Eu queria que fosse uma música para a comunidade, por isso gravei no Morro da Providência com o Jonatan, que é um cara da favela”, explicou.

Criticada por amigos músicos de Pernambuco, Doralyce responde que não pretende se limitar a um único estilo. “Eu faço música universal, não sigo regras, embora ache que a resistência cultural é legítima. Quando me formei em Direito, achei que iria fazer uma revolução como técnica do jurídico. Depois entendi o que todo mundo já tinha percebido, a mudança tinha que ser pela educação. Só que fui para a educação e posso falar que o que muda é a cultura. E é preciso estar dentro do sistema para mudá-lo”, conclui.

Atualmente a cantora se prepara para lançar o seu primeiro EP, previsto para o primeiro semestre. O disco traz um apanhado das composições que a artista fez ao longo da sua carreira, atravessando vários ritmos, além do funk de “Miss Beleza Universal”. Em fevereiro, Doralyce volta ao Recife para alguns shows. As datas exatas ainda serão definidas.

 

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