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GloboNews estreia o documentário 'Obatalá, o Pai da Criação'

Filme traz os bastidores da gravação do disco 'Obatalá: Uma Homenagem a Mãe Carmen', que reuniu nomes como Gilberto Gil e Marisa Monte

Gilberto Gil participou da gravação do disco "Obatalá"Gilberto Gil participou da gravação do disco "Obatalá" - Foto: Divulgação/GloboNews

Lançado em 2019, o disco “Obatalá: Uma Homenagem a Mãe Carmen” é um grande chamado ao diálogo inter-religioso. O que ocorreu nos bastidores do processo de criação do álbum chega agora ao público através do documentário “Obatalá, o Pai da Criação”, que estreia na GloboNews neste domingo (10), às 23h.

Produzido em parceria com a Gege Produções, o filme traz cenas inéditas do encontro de grandes nomes da música brasileira. Bem antes da pandemia, artistas como Gilberto Gil, Alcione, Gal Costa, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Marisa Monte e Jorge Ben Jor se reuniram para celebrar não só os 90 anos da Iyalorixá do Terreiro do Gantois, em Salvador, mas também a importância histórica e cultural do candomblé para o Brasil.

Cristina Aragão, roteirista e responsável pela narração do projeto, classifica o documentário como luminoso e esclarecedor. “Há um misto de emoções quando ouvimos as canções com um pensamento claro dos valores do candomblé no mais famoso terreiro do Brasil. Estivemos lá e fizemos imagens lindas dessa casa acolhedora, como bem disse Mãe Carmen, a responsável pela permissão para que a produção e a gravação do material fossem realizadas”, aponta.

Indicado ao Grammy Latino 2020 na categoria Melhor Álbum de Raízes em Língua Portuguesa, o disco traz parcerias marcantes. Ele proporcionou, por exemplo, o reencontro entre Gil e Ben Jor, 44 anos após a gravação de “Gil & Jorge: Ogum, Xangô”. O tropicalista ainda divide o microfone com Gal Costa em “Carmen”. Cada convidado, seja em solo ou dueto, canta uma homenagem a um orixá diferente.

“Flora Gil (diretora do projeto) e Leticia Muhana (coordenadora) acompanharam as gravações das músicas no estúdio do Carlinhos Brown no Candeal, em Salvador. E viram que o making of das gravações poderia ser o ponto de partida para um documentário”, explica Cristina. No entanto, a equipe sentiu a necessidade de ir além e ampliar os conteúdos das gravações do CD.

“Depois de assistirmos às imagens dos bastidores, a montadora Renata Baldi, Leticia Muhana e eu decidimos que era importante ouvir grandes nomes para explicar o candomblé a quem não tem familiaridade com o tema”, explica. A partir de depoimentos colhidos em entrevistas, o filme de 55 minutos mergulha na representatividade do candomblé dentro da cultura afro-brasileira. Não só os músicos envolvidos no álbum foram ouvidos, mas também especialistas, como Dona Cici, mestra griô, educadora e contadora de histórias. 

A trajetória da religião é contada no documentário desde a sua fundação no Brasil, onde aportou trazida por povos escravizados vindos da África. O protagonismo feminino na crença é ressaltado ao longo do documentário, que revela como através das primeiras libertas, por volta de 1830, a figura da mulher se impôs como liderança nos terreiros e o matriarcado passou a prevalecer a cada nova geração.

“Todos que participaram estavam muito felizes em dar as entrevistas, pois sabiam da relevância de levarmos essas questões para além das pessoas que vivenciam o candomblé”, diz. “Obatalá, o Pai da Criação” traz em sua essência uma mensagem contra a intolerância religiosa. Ao se unirem para saudarem os cânticos sacro-afro-brasileiros, importantes vozes nacionais deixaram suas contribuições para a conservação de uma herança tantas vezes atacada na história do País.

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