Governo exclui cineastas do Conselho de Cinema

Governo federal decreta nova composição do Conselho Superior do Cinema sem diretores brasileiros e chama grupos estrangeiros

Bruno Barreto é o único cineasta na composiçãoBruno Barreto é o único cineasta na composição - Foto: Bruno Poletti/Folhapress

O governo federal tirou cineastas brasileiros da nova composição do Conselho Superior do Cinema, responsável por traçar políticas para o setor audiovisual nacional, e deu peso a representantes de gigantes das telecomunicações e de conglomerados estrangeiros, como a Netflix e os estúdios de Hollywood.

A nova composição foi anunciada em decreto assinado por Michel Temer e publicado nesta segunda (3) no Diário Oficial da União. Valerá para os próximos dois anos.

É a primeira vez que integrantes da Apaci e da Abraci, associações de realizadores do país, não têm lugar no grupo. Único cineasta entre os membros do novo conselho, Bruno Barreto não integra essas entidades de diretores. O conselho é composto por nove titulares e nove suplentes. O governo reconduziu três dos antigos titulares e designou 15 novos membros.

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Entre eles estão Paula Karol Pinha, da área de assuntos institucionais da Netflix, e José Maurício Fittipaldi, representante da MPA (Motion Picture Association of America), que reúne os estúdios hollywoodianos. Leonardo Palhares, por sua vez, já falou em nome do Google e do Facebook em reuniões do conselho.

Isso significa que esses grandes grupos estrangeiros terão mais voz e voto nas futuras discussões sobre políticas públicas para a indústria cinematográfica brasileira. Temas como a cota de tela, que prevê número de dias em que os cinemas são obrigados a exibir produções nacionais, e a regulação do VOD (vídeo sob demanda) são alguns dos tópicos discutidos pelo Conselho Superior de Cinema.

Outros dos integrantes são Marcelo Bechara Hobaika, que representa a Globo, Hiran Silveira, que representa a Record, e Marcio Fraccaroli, da Paris Filmes, distribuidora por trás dos grandes lançamentos nacionais. Já Ricardo Difini Leite, outro dos novos membros, é um exibidor que já deu declarações públicas contra a cota de tela.

Procurado, o Ministério da Cultura informou que todos os nomes foram indicados após consulta a 49 entidades. E que há realizadores no novo conselho, caso de Bruno Barreto.

"A MPA representa as distribuidoras norte-americanas que atuam no Brasil e, portanto, integram o setor audiovisual do país", informa, via assessoria. "A advogada Paula Pinha foi indicada pela Associação Latino-Americana de VOD, que representa empresas de VOD, não pela empresa em que trabalha."

Ausência

Sobre a ausência de diretores ligados às associações tradicionais, o MinC responde que consultou outras entidades como a Bravi, a Conne, a Fames, a Abragames e a Apro - nenhuma delas, no entanto, é exclusiva para diretores. "Pela primeira vez há, de fato, um Conselho Superior de Cinema constituído a partir de uma consulta real ao setor e que representa todos os elos das cadeias de valor do audiovisual e boa parte dos segmentos do mercado."

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