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Grafiteiros usam arte para conscientizar sobre falta de acessibilidade

Projeto da ONG Movimento SuperAção, o 'Sem Rampa, Calçada é Muro' leva obras de arte e protesto para calçadas sem rampas

Obra do grafiteiro Cajú pelo projeto Calçada é Muro em Campo Grande, RecifeObra do grafiteiro Cajú pelo projeto Calçada é Muro em Campo Grande, Recife - Foto: Divulgação

Tudo começou com uma inquietação. Acostumados com o desenvolvimento de projetos sociais, a equipe da agência paulistana Z+ não poderia deixar de fazer algo a respeito da informação que obtiveram: em São Paulo, maior cidade do Brasil e área de atuação da Z+, apenas 9% das calçadas têm acessibilidade.

O inconformismo fez Alê Lage “Boca”, 44 anos, diretor de arte da agência, entrar em contato com Billy Saga, presidente da ONG Movimento SuperAção;juntos, perceberem que, para um cadeirante, toda calçada que se levanta é como se fosse um muro. E o que seria melhor do que o grafite para gritar as injustiças nos muros na cidade?

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É nesse contexto que, há duas semanas, o projeto Sem Rampa, Calçada é Muro ganhou corpo em São Paulo. Para Billy Saga, a pretensão do projeto é chamar a atenção, de um jeito lúdico e artístico. “Estamos fomentando a inclusão de uma forma que só a arte é capaz. Precisamos acessar a emoção dos cidadãos, pois só a razão não tem sido suficiente", ressalta Billy.



Primeiro a fazer parte do projeto, Negrito, grafiteiro paulista, 43 anos, ressalta a importância da arte como meio para passar uma mensagem. Diante do desafio de grafitar em uma calçada, o artista também se deparou com as dificuldades da redução da mobilidade e, agora com uma nova percepção sobre a cidade, deseja que o projeto se estenda a outros lugares.

No Recife, o grafiteiro Cajú, 45 anos, tem feito a sua parte. Inserido na cultura hip hop, o grafiteiro identifica as causas sociais como um elemento do movimento, fazendo com que a linguagem do grafite seja ideal para o protesto. Foi por isso que, ao ver amigos paulistas divulgando o trabalho do Calçada é Muro no Instagram, Cajú resolveu saber mais sobre o projeto e foi convidado pela equipe para começar a ideia aqui no Recife, no último dia 4 deste mês, especificamente na Estrada de Belém, em Campo Grande, Zona Norte.

“Cada um fala com o que tem, eu falo com a tinta”, reflete Cajú, que denuncia as irregularidades que encontra nas calçadas da Região Metropolitana do Recife: “Às vezes até tem rampa, mas não tem manutenção, então a calçada é toda quebrada, tem mato, tem lama, isso tudo que impossibilita a galera de trafegar”.

Nesse sentido, para o artista, o projeto aguça a ideia de pensar no próximo e, assim como outros participantes, ele carrega a vontade de espalhar o Calçada é Muro para todo o Brasil.

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