Artes visuais

Grafites de Cajú e Galo de Souza ocupam a Christal Galeria

Com pinturas nas paredes, telas e outras criações, exposição "Fitando com Cajú e Galo de Souza" pode ser vista até setembro

Obra de Cajú e Galo de Souza na exposiçãoObra de Cajú e Galo de Souza na exposição - Foto: Divulgação

Linguagem artística normalmente ligada aos espaços públicos, o grafite passa a ocupar os ambientes da Christal Galeria, no bairro do Pina. A exposição “Fitando com Cajú e Galo de Souza” reúne, de hoje até 25 de setembro, dois grandes expoentes da arte urbana em Pernambuco, que juntam as forças de seus trabalhos para levar mensagens positivas em tempos tão difíceis. 
 
Os artistas se conhecem há mais de 20 anos e, embora já tenham integrado mostras coletivas ao lado de outros nomes, apresentam uma exposição em dupla pela primeira vez. “É muito tranquilo estabelecer essa parceria, porque já somos amigos há bastante tempo. Um já entende bem a obra do outro”, aponta Cajú.

Grafite é linguagem comum

Apesar de terem a grafitagem como elemento em comum de suas carreiras, os dois mantêm estéticas bastante distintas. Os pontos de diálogo, no entanto, existem. “São estilos totalmente diferentes, mas acho que a convivência na rua faz com que a coisa se alinhe. O grafite faz com que as pessoas, pintando juntas, consigam se comunicar, independentemente de cor, classe social ou gênero”, defende Cajú.

As criações da dupla estão presentes ao longo de todos os 130 metros quadrados de área construída da galeria, da entrada principal aos banheiros, além de parte da área externa. Na disposição das obras, algumas paredes ficaram para uso exclusivo de cada artista, enquanto outras promovem a junção entre os dois.

Estilos: realismo e figurativo

“Cajú trabalha muito com o realismo e eu venho com algo mais figurativo e surrealista. O momento quando a gente se encontra é na imagem de um beijo entre dois desenhos nossos”, adianta Galo. Além dos grafites, os artistas elaboraram obras em telas, esculturas, móveis, luminárias e letras em madeira. Também será projetado um vídeo em loop com registros do processo de criação nos ateliês e na própria galeria.

Composta por diversos trabalhos inéditos, exclusivamente pensados para a ocasião, a exposição traz na expressão “fitando”, presente no seu título, uma série de significados. Pode ser entendida como o gerúndio do verbo “fitar”, sinônimo de olhar, ou mesmo partir de um trocadilho com o termo “grafitando”. Desde o início das preparações, a proposta das curadoras Stella Mendes e Christiana Asfora Cavalcanti foi que os artistas abraçassem os temas: resiliência, força e fé.

Cajú e Galo de SouzaCajú e Galo de Souza (Fotos: Divulgação)

Sentimento atual na mostra

“Essa tríade sugerida pela curadoria tem tudo a ver com o que o mundo vive agora. Tentei passar bastante do que eu sinto nos meus trabalhos”, afirma Cajú. “Infelizmente, virou comum perder amigos e familiares nesses últimos tempos, mas a vida continua. A gente tem que continuar criando arte e pensando em um mundo melhor. A situação é difícil, mas a arte faz ser um pouco mais colorida”, defende Galo.

Seguindo os protocolos sanitários vigentes, as visitações presenciais à mostra ocorrem de terça a sexta-feira, das 12h às 20h; e aos sábados, das 10h às 17h. Para visitas em grupos, a orientação é realizar o agendamento prévio através do contato: (81) 98952-7183. Também será possível, em breve, fazer um tour virtual por meio do site oficial da galeria.

Os nomes que estampam a exposição concordam que levar o grafite para dentro de uma galeria de arte é um feito importante. “Isso é algo que em outros lugares ocorre com mais frequência do que no Recife. Os artistas de rua, urbanos e periféricos precisam estar nesses ambientes, expondo e vendendo seus trabalhos, porque há muita coisa boa sendo produzida por eles”, comenta Cajú. Para Galo, a ocupação também não deixa de ser uma crítica. “As galerias como um todo sempre foram muito elitistas e fechadas. Nossa arte é que vem crescendo e entrando em lugares diferentes, furando todos os bloqueios”, expõe Galo.

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