‘Grey’s Anatomy’ aparenta ser eterna, mas aborda temas que merecem destaque

Crença entre ciência e religião, aceitação LGBTQ+ e violência contra mulheres são alguns temas tratados na série

Em 'Grey's Anatomy', a atriz Ellen Pompeo interpreta a Dra. Meredith Grey há mais de 10 anosEm 'Grey's Anatomy', a atriz Ellen Pompeo interpreta a Dra. Meredith Grey há mais de 10 anos - Foto: Divulgação

Na última sexta-feira (18), eu trouxe ‘Grey’s Anatomy’ como exemplo de séries longas demais. Ainda na semana passada, o drama médico chegou ao fim de sua décima quarta temporada e já foi renovada para a décima quinta. Quando o assunto é o Seattle Grace Hospital (para aqueles que ainda estão no começo da história), escuto frequentemente as mesmas frases: “catorze temporadas é muita coisa, não dá”, “comecei a assistir, mas parei na metade” ou “a série é muita longa, assisto tudo quando acabar”.

De fato, para acompanhar a trama é preciso ter um vínculo especial com os personagens e simpatizar com a história. Porém, se por um lado ‘Grey’s’ aparenta não ter fim, por outro o programa traz, em cada episódio, alertas e mensagens importantes que merecem ser lembradas e discutidas pelo público. Quem está atrasado na série, cuidado, spoilers à frente.

Não é novidade que Shonda Rhimes, criadora da série, costuma dar voz a comunidades que sofrem qualquer tipo de preconceito. Só para citar um exemplo, as cirurgiãs Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e Callie Torres (Sara Ramirez), mulheres que são chefes em seus departamentos cirúrgicos e, de quebra, são casadas entre si. A própria Shonda costuma dizer que está tentando fazer a TV parecer mais com o mundo real, com LGBTQs e negros ocupando espaço em todos os lugares.

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A representatividade não para nas cirurgiãs, vários pacientes homossexuais já deram entrada no hospital, com conflitos internos bem diversificados. Na temporada atual, por exemplo, podemos acompanhar o amor entre dois garotos de quinze anos, um deles precisando de um transplante de coração enquanto seu namorado servia de apoio.

Fofo, né? Mas esse é só um dos temas da décima quarta temporada que podemos espalhar por aí. Separei alguns assuntos bem atuais que podemos jogar na roda de amigos.

Assédio sexual no trabalho

A frase em negrito a cima automaticamente remete ao escândalo do produtor Harvey Weinstein e das vítimas que trabalharam em sua empresa, da polêmica em Hollywood e do movimento criado e liderado por mulheres, o #TimesUp. Segundo a pesquisa divulgada pelo DataFolha em janeiro deste ano, 23% das mulheres sofrem assédio no trabalho, se contarmos com os outros locais – ruas e transporte público – o número aumenta para 32% e 33%, respectivamente.

Em ‘Grey’s Anatomy’, temos o grande cirurgião Harper Avery sendo acusado de ser um predador sexual e sua Fundação precisando lidar com a repercussão. Esse episódio é um verdadeiro exemplo de como lidar com escândalo sexual.

Violência contra a mulher

Todos os episódios da série médica são intitulados com nomes de músicas e aqui não seria diferente. No episódio “1-800-799-7233”, o título não é apenas um lembrete da canção da banda americana Saffire The Uppity Blues Women, mas também se trata do número de denúncia para a violência contra a mulher nos Estados Unidos. Não custa lembrar que, no Brasil, o número é o 180. O episódio em questão é um dos mais feministas da série, colocando a coragem e união das mulheres contra os opressores em um verdadeiro #GirlPower.

Sintomas de infarto em mulheres

Está equivocado quem pensa que infarto acontece durante uma dormência no braço e dor no peito. Esses sintomas acontecem, sim, mas é mais frequente nos homens. Nas mulheres as coisas podem acontecer de outra maneira, só que muitas pessoas ainda não sabem disso e acaba prejudicando o diagnóstico e tratamento.

No Brasil, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 30% dos casos de doenças cardiovasculares acontecem no sexo feminino. Mulheres, fiquem ligadas! Os sintomas podem aparecer em vocês através de enjoos, falta de ar, cansaço, desconforto no peito e arritmia. Page cardio!

Como um presente aos fãs que acompanharam a protagonista Meredith Grey (Ellen Pompeo) até aqui, esse ano o show foi marcado por vários momentos nostálgicos referentes aos mais de dez anos da série. Aparições de antigos personagens, menções e flashbacks ocorreram em quase todos os episódios, como o de número 300, por exemplo.

 

Vale lembrar que a atriz Ellen Pompeo assinou contrato de mais dois anos com a emissora ABC Family, então teremos Shonda Rhimes planejando tragédias até 2020! Mas a produção, segundo a atriz, já pensa em um possível final. Em minha opinião, conhecendo o histórico colossal de lágrimas derramadas, acredito que Meredith pode acabar internada numa clínica para pessoas com Alzheimer, recebendo visitas de Alex Karev (Justin Chambers). Como vocês acham que a série pode acabar?  

*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 180 produções e já assistiu mais de 5,3 mil episódios, uma média de 23 por semana. A série mais assistida - a favorita - é "Grey's Anatomy", à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. 

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

 

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