Grupo de Trabalho estabelece metas para retomada dos cinemas

Equipe iniciou um mapeamento dos cinemas de rua do Estado, para em seguida avaliar as reformas necessárias

A Casa do Medo - Incidente em GhostlandA Casa do Medo - Incidente em Ghostland - Foto: YouTube/Reprodução

Os protestos do movimento #OcupeCineOlinda, que vêm alertando a população para a importância de um equipamento cultural fechado há mais de 50 anos - e neste fim de semana promoveu a exibições de filmes -, se integram aos esforços de um Grupo de Trabalho dedicado a políticas de preservação e restauro de cinemas de rua. Coordenado por Silvana Meirelles, secretária executiva de Cultura da Fundarpe, o coletivo, formado no começo do ano, estabeleceu metas para a gradual modificação do cenário de salas de cinema de rua em Pernambuco.

“O GT foi criado como uma resposta a uma provocação de grupos de cinema”, diz Silvana. “Isso coincidiu com um interesse nosso: dar atenção aos cinemas de rua. Foi uma definição da Secult [Secretaria de Cultura] a partir de demandas da sociedade civil para retomada do cinema de rua. São salas com programação diferenciada, que provocam as pessoas a estarem nas ruas, fora dos shoppings. Tem um movimento semelhante em São Paulo, então conversamos com a equipe do [prefeito Fernando] Haddad. Ou seja, tinha um ambiente tanto no governo quanto na sociedade, o que terminou levando a criação desse GT “, explica.

Nos primeiros encontros, a equipe iniciou um mapeamento dos cinemas de rua do Estado, para em seguida avaliar as reformas necessárias para os equipamentos que ainda não estão funcionando passem a operar regularmente. “O primeiro resultado é o mapeamento dos cinemas de rua públicos, vinculados ao poder público e um outro, o de Afogados da Ingazeira, que tem um cineclube e a Mostra Pajeú de Cinema, que pertence à Diocese de Afogados. O Cine Rio Branco, de Arcoverde, o Cine Teatro Polytheama, em Goiana, o Apolo do Recife e de Palmares, o Guarany, em Triunfo, o Samuel Campelo, em Jaboatão, e o Cine Olinda - esses são gerenciados pelo poder público”, lista Silvana.

“Esse mapeamento foi feito para saber a situação de cada uma dessas salas. Tanto na infraestrutura quanto na programação”, detalha Silvana. “Começamos também um diálogo com a Ancine [Agência Nacional do Cinema], que tem um programa chamado Cinema Perto de Você, que prevê apoio ao desenvolvimento de salas de cinema tanto na implantação de novas quanto na digitalização delas, já que muitas não são digitais. Várias têm precariedades de infraestrutura, desde poltrona até cabines de projeção inadequadas, que precisariam ser readequadas para receber os equipamentos”, comenta.

Em alguns casos, as reformas vão além de pequenas alterações. Então, é importante o olhar de um arquiteto habituado às particularidades de uma sala de cinema. “Alguns foram restaurados por arquitetos que não são especialistas em cinema. Contamos com apoio de Osvaldo Emery, que trouxemos para fazer o trabalho no Cinema do Museu, e a gente percebeu a importância de ter um arquiteto que entenda, para fazer um projeto consistente”, ressalta Silvana. “Ele chega ao Recife para começar pelo Cine Olinda e depois deve ir a mais dois: o Samuel Campelo e o Apolo. Deve fazer uma segunda viagem, até novembro, para o Interior, para uma consultoria técnica especializada”, detalha.

A experiência de Osvaldo - que trabalha no Ministério da Cultura (MinC) - na arrumação de salas de cinema oferece um olhar estratégico e experiente na concepção de espaços. “No trabalho de arquitetura de cinema a gen­te procura que a sala garanta o melhor som, a melhor imagem e o máximo de conforto possível”, explica Osvaldo. “Som e imagem não dependem apenas do equipamento. O tamanho da tela e a posição que ela ocu­pa, a forma como ela é insta­la­da dentro da sala, tudo isso interfere. O som também: é preciso cuidar da acústica, para que se tenha qualidade. Além do conforto para que as pessoas possam se entregar ao filme da melhor forma possível”, detalha. No Recife, que há décadas possuía uma grande quantidade de cinemas de rua, há uma preocupação cada vez maior por retomar essa atividade. “Acho que os cinemas de rua têm um grande impacto”, opina Silvana. “Não é à toa que esse debate tenha voltado neste momento, porque existe a mobilização da sociedade, a compreensão da relação das pessoas com a rua e com os bens públicos. É uma questão urbana: as pessoas querem voltar a frequentar as ruas, se apropriar e usá-las. Hoje tem uma tendência de isolamento em condomínios e shoppings. O cinema de rua não se insere nesse contexto. Se você falar com pessoas com 40 ou 50 anos, eles vão se lembrar da importância do Trianon, Art Palácio, Veneza. Nós frequentamos esses cinemas e foi muito importante. Esses cinemas só vão se dinamizar, promovendo encontro das pessoas que andam isoladas, além de deixar as ruas mais seguras”, ressalta Emery.

Leia também:
Cinemas de rua lutam para não ficarem apenas na memória

Veja também

Alok anuncia live especial de fim de ano com superprodução para 5 de dezembro
LVE

Alok anuncia live especial de fim de ano com superprodução

Navegue na edição digital da Folha de Pernambuco
Folha de Pernambuco

Navegue na edição digital da Folha de Pernambuco