Grupo Galpão de Teatro, de Belo Horizonte, volta ao Recife nestas quinta e sexta

Em “Nós”, seu mais recente trabalho, os artistas mineiros cumprem o desafio de gerar algo novo a partir das experiências acumuladas

governador e candidato à reeleição Paulo Câmara (PSB), na Mata Sulgovernador e candidato à reeleição Paulo Câmara (PSB), na Mata Sul - Foto: Hélia Scheppa/PSB

 

O Galpão é, reconhecidamente, um dos nomes de maior peso dentro do teatro brasileiro. Felizmente, o prestígio conquistado com o passar do tempo não fez com que o coletivo se acomodasse. Pelo contrário, prestes a completar 35 anos de atividades em 2017, o grupo busca se reinventar constantemente, sem perder de vista sua identidade.

Em “Nós”, seu mais recente trabalho, os artistas mineiros cumprem o desafio de gerar algo novo a partir das experiências acumuladas. O espetáculo faz parte do 18º Festival Recife do Teatro Nacional (FRTN) e pode ser visto nestas quarta (23) e quinta-feira (24), às 20h30, no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu.

Formado só por atores, o Galpão costuma convidar encenadores de fora. Desta vez, a tarefa de dirigir o elenco ficou a cargo de Marcio de Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro. Através desse encontro, o grupo de Belo Horizonte se distancia de sua tradição no teatro popular e abraça a linguagem da performance. “A parceria do Márcio representa, antes de mais nada, um risco. É um teatro contemporâneo, uma linguagem diferente para nós. Ao mesmo tempo, é uma obra com a nossa cara, que fala diretamente ao público”, afirma o ator Eduardo Moreira, que divide a autoria do texto com o diretor convidado.

O roteiro foi composto na sala de ensaio, a partir de provocações lançadas pelo diretor e transformadas em cenas improvisadas pelos artistas. A narrativa se desenvolve em torno do preparo de uma refeição. Ao redor de uma mesa, sete pessoas cozinham uma sopa, que será a última de suas vidas. Nem os personagens, nem a relação existente entre eles, é muito bem definida. Enquanto elaboram o prato, eles entram em debate sobre temas da atualidade. Aos poucos, opiniões divergentes desencadeiam uma grande disputa idelógica. “Esse grupo representa as vozes que estão pelas ruas. São os discursos que encontramos na sociedade”, diz Moreira.

“Nós” é uma peça assumidamente política, mas não de maneira óbvia. “Não estamos falando de partidos ou governantes. A ideia é abordar a atualidade política por meio de questões vigentes no nosso cotidiano, como a convivência com a diferença, intolerância, respeito pelas minorias e violência”, explica. A forma como esses temas são interpretados fica por conta do público. Em determinado momento da encenação, por exemplo, a personagem da atriz Teuda Bara é expulsa de cena pelos demais personagens. “Muitos enxergaram uma alusão ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, embora a cena tenha sido criada antes disso. Mas também houve uma pessoa que relacionou à ida de sua mãe com Alzheimer para um asilo. O espectador pode ler a história da forma como ele quer”, finaliza.

Palhaçada
A associação Doutores da Alegria também integra a programação do Festival. Hoje, às 20h, no Teatro Joaquim Cardozo, o grupo apresenta o projeto “Conta causos”, que nasceu da visita dos palhaços aos hospitais pernambucanos. No palco, os artistas encenam os encontros com as crianças internadas, seus acompanhantes e profissionais da saúde. São histórias engraçadas, de superação, e algumas até mesmo tristes. A entrada é gratuita.

 

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