Grupos culturais recorrem a financiamento coletivo

Segmento tem sido afetado com a falta de investidores, de políticas de patrocínio e ainda com a diminuição de público nos eventos

O deputado estadual Antônio Coelho em entrevista Rádio Folha FM 96,7O deputado estadual Antônio Coelho em entrevista Rádio Folha FM 96,7 - Foto: Julya Caminha

“Não há mal que dure para sempre” e nem crise financeira que nunca acabe. Pelo menos é o que esperam os brasileiros, sobretudo os que têm sido mais prejudicados com a retração econômica do Brasil. Entre eles, os que trabalham com a cultura que, embora resistente, é um segmento que tem sido afetado com a falta de investidores, de políticas de patrocínio e ainda com a diminuição de público nos eventos. Com o cenário debilitado, muitos grupos culturais têm buscado estratégias para se manter ativos e ainda driblarem os efeitos da recessão.

Criado há 23 anos, o Grupo Experimental encontrou no financiamento coletivo uma maneira de ultrapassar o momento. Por meio de uma plataforma virtual de arrecadação de dinheiro, ele pretende obter recursos para remontar o espetáculo “Zambo”, ícone na história da companhia, que tem sede na rua Tomazina, no Recife Antigo. A montagem, criada após a morte de Chico Science, em 1997, celebrará não só os 20 anos do espetáculo, como fará uma homenagem ao cantor pernambucano. “Recife exporta arte porque não tem tanto mercado como outras cidades, por isso, pensamos no financiamento coletivo. Nossa meta é juntar R$ 60 mil, mas até agora estamos com 10% do valor para remontar o projeto que irá homenagear Chico Science”, explicou Mônica Lira, diretora do Experimental.

A campanha, que tem o mote #AmigosDoExperimental, segue aberta até o próximo dia 29. “Embora 2016 tenha sido bacana, estreamos o espetáculo “Pontilhados” e circulamos com “Breguetu”, neste final do ano, nos deparamos com essa realidade. Apesar disso, seguimos com a campanha para que as pessoas possam nos ajudar, afinal de contas, elas podem ser financiadoras de arte dentro do próprio País”, completou. O Grupo Experimental já ajudou mais de 500 jovens, por meio de projetos sociais.

O Coletivo Hetéaçã e a Cia Armorial de Teatro de Bonecos também optaram pelo financiamento coletivo para circular com o espetáculo “Mamulengo do Ambrósio” em alguns estados brasileiros. Para isso, é preciso juntar R$ 9,5 mil até o dia 21 de janeiro. As pessoas poderão fazer doações de valores entre R$ 15 e R$ 1 mil. O dinheiro irá bancar a realização de oficinas de cultura popular que o grupo pretende oferecer durante o intercâmbio, além dos custos de circulação, taxa da plataforma utilizada e com as recompensas que serão entregues aos doadores da campanha.

“Estamos num momento delicado e não queríamos ficar à mercê da crise. Com o que for arrecadado, passaremos por Maceió, Natal, João Pessoa, Recife, Belo Jardim, Garanhuns e Caruaru. Nossas expectativas já foram lançadas e esperamos mostrar nosso trabalho em outros locais”, explicou Joesile Cordeiro, ator e um dos integrantes do Coletivo Hetéaçã.

Na história do “Mamulengo do Ambrósio”, uma trupe de mambembes trapaceiros e atrapalhados, que conta com a esperteza e malandragem de Mateu e Catirina, tenta escapar das armadilhas do coronel João Redondo. “O espetáculo surge da história de três cordéis. Nele, trazemos diversos elementos da cultura popular, como o Coco, o Cavalo Marinho e ainda o teatro de rua e a contação de histórias”, acrescentou o ator.

Saber e luta

Embora não seja um grupo cultural, o Centro de Cultura Luiz Freire, uma ONG de direitos humanos, também está com uma proposta de arrecadação de dinheiro para oferecer um ciclo de oficinas a 100 jovens da Região Metropolitana do Recife (RMR). Ao todo, a ONG precisa juntar R$ 2,4 mil para a produção e impressão de materiais didáticos, ajuda de custo no transporte e na alimentação dos participantes e ainda para a plataforma na internet. As doações podem ser feitas a partir de R$ 15. A campanha “Saber e Luta” segue aberta até o dia 12 de janeiro.

Colaborativo para expansão


Embora a crise financeira não seja o fator motivador, o chargista e músico pernambucano Cleriston Andrade também optou pelo financiamento colaborativo para divulgar seu trabalho. A iniciativa veio num momento, que segundo ele, é decisivo: viver de música, aos 63 anos de idade. “Chegou a hora de sair do quarto, de abrir a porta e cantar para o mundo. Tenho uma coisa onde ponho fé: minha música e a opinião das pessoas sobre ela. Quero tocar para mais gente”, explicou.

Com o entendimento de que não se pode ir a lugar nenhum sozinho, Cleriston realiza, por meio de uma plataforma digital, uma campanha em prol da gravação de dez músicas que serão compartilhadas por um custo mínimo. Para isso, o público deverá fazer doações que podem ser entre R$ 10 a R$ 450. Em troca, haverá recompensas, que variam de acordo com o valor doado. “O colaborador poderá ter um show descontraído em meu condomínio, onde tocarei músicas autorais e de outros artistas ou ainda ter um show exclusivo para ele e amigos, em que irei apresentar as músicas gravadas e de outros projetos dos meus 40 anos de carreira”, contou.

Com o dinheiro arrecadado, o artista poderá bancar os custos da gravadora e, se sair um extra, criar uma página na internet onde irá consolidar suas músicas, textos e ainda suas charges. “É uma espécie de empre­en­­­dedorismo, que requer disciplina, dedicação. Se eu não trabalhar muito, todos os dias, será uma coisa latente. Mas se houver trabalho, pode ser que dê em alguma coisa. E eu acredito que dará certo”, completou Cleriston. A meta para o projeto, que ficará no ar até o dia 18 de janeiro, é de R$ 8 mil.

Serviço

Para contribuir, acesse:

Grupo Experimental 

Mamulengo vai brincar 

Saber e Luta

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