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'Guerra de algodão' retrata o encontro de uma adolescente com sua origem

Ambientado em Salvador, filme chegou ao catálogo da Netflix após festivais e estreia comercial

"Guerra de Algodão" mostra relação entre avó e neta"Guerra de Algodão" mostra relação entre avó e neta - Foto: Divulgação

O drama baiano “Guerra de algodão”, disponível no catálogo da Netflix, mostra o transformador encontro de duas gerações de mulheres empoderadas. Dora (Dora Goritzki) é uma garota de 13 anos que cresceu na Alemanha e se vê obrigada a passar as férias em Salvador com Maria (Thaia Perez), avó que ela pouco conhece. 

Inconformada com a possibilidade de morar definitivamente no Brasil, a adolescente quer voltar para a Europa a qualquer custo. Sua avó, enquanto isso, precisa lidar com o desconforto de ter alguém com quem não consegue se comunicar dentro de casa. É a partir dos conflitos e das descobertas que nascem dessa relação que a trama dirigida por Marília Hughes Guerreiro e Cláudio Marques se desenvolve.

A experiência de residir na capital baiana foi essencial para a idealização do longa-metragem. “Tanto eu como Marília não nascemos em Salvador e nos mudamos para cá na adolescência. É uma cidade que causa muitos impactos, sejam eles positivos ou negativos. A gente já achou que não se encaixava e deveria ir embora daqui, mas fomos entendendo que era melhor ficar. O ponto de partida do filme é a importância de nos reencontrarmos com as nossas raízes para entender quem somos”, aponta Marques, em entrevista à Folha de Pernambuco.

Enquanto procura formas de fugir, Dora acaba encontrando pistas sobre o passado da avó. Uma das pioneiras do cinema e do teatro na Bahia, Maria enfrentou uma sociedade extremamente machista, que não via com bons olhos seu trabalho como atriz. A postura de resistência, no entanto, teve como preço o afastamento da família. 

“Mais do que o embate, gosto de ver como as personagens são parecidas. São duas mulheres de fibra, duras, que sabem o que querem e buscam isso. Na verdade, elas se espelham e se veem uma na outra”, aponta. Dora Goritzki foi escolhida para o papel em uma seleção de elenco com 300 candidatas. O fato de ter morado na Alemanha, assim como a personagem, influenciou a decisão dos diretores.

“Ela vivenciou esse choque de culturas que a gente estava querendo traduzir. A experiência dela deu muito ao filme. Foi importante ter uma atriz como Dora, tão inteligente e talentosa, em quem apostamos muito”, elogia. No caso de Thaia Perez, o nome veio como recomendação do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que já havia dirigido a artista em “Aquarius” (2016). 

Lançamento 

Antes da pandemia, “Guerra de algodão” chegou a circular por festivais ainda realizados de forma presencial, como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo de 2019. O lançamento em circuito comercial, em dezembro de 2020, foi atrapalhada pelo aumento no número de casos da Covid-19. 

“Foi muito frustrante para mim, que sou uma pessoa do cinema. Em Salvador, o filme estreou com as salas muito vazias e, uma semana depois, os cinemas tiveram que fechar novamente. Por outro lado, a gente está se adaptando e encontrando um público totalmente diferente, muito mais diverso e amplo, através do streaming”, afirma. 

Parceria

Antes de “Guerra de algodão”, Marília e Cláudio dirigiram juntos outros dois longas-metragens: “Depois da chuva” (2013) e “A cidade do futuro” (2016). A dupla realizou ainda sete curtas.

“A gente vem aprendendo muito um com o outro esse tempo todo, só que para os próximos  projetos resolvemos fazer experiências distintas também. Marília já está dirigindo um documentário e eu estou me preparando para o meu primeiro longa de ficção sem ela na direção. Está sendo muito enriquecedor para os dois”, defende. 

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