Crítica

Hayao Miyazaki defende o seu legado em ''O Menino e a Garça'', que estreia nesta quinta-feira (22)

A animação do cineasta japonês é uma declaração para os fãs do Studio Ghibli

''O Menino e a Garça'' foi o primeiro filme de animação da história a abrir o Festival Internacional de Cinema de Toronto''O Menino e a Garça'' foi o primeiro filme de animação da história a abrir o Festival Internacional de Cinema de Toronto - Foto: Divulgação

''O Menino e a Garça'', que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22), acompanha o jovem Mahito depois dele perder a mãe durante a segunda guerra mundial. Tomado pelo luto e sem rumo, ele se muda para a residência de sua família no campo, no interior do Japão.

Na sua nova casa, a rotina do menino é abalada pela convivência com sua madrasta, enquanto o seu pai trabalha em uma fábrica. Tomado pela tristeza e pelas mudanças repentinas em sua vida, o jovem abandona a escola, porém, o repentino encontro com uma garça-real leva o protagonista para uma torre antiga, misteriosa e isolada. 

Chamado à aventura 
Os enigmas que cercam Mahito atiçam a sua curiosidade. Após um desaparecimento, o jovem embarca numa jornada repleta de aventura, ação e reflexão. Ele é guiado pela Garça através de um mundo fantástico partilhado pelos vivos e pelos mortos, em busca de descobrir os segredos desta realidade distorcida e a verdade sobre sua própria história.  

Miyazaki retrata com delicadeza a sua reflexão sobre diversas temáticas como guerra, luto, família, autoconhecimento e legado. A Garça representa a fidelidade e a longevidade se tornando aliada na jornada de autoreflexão de Mahito com medo de se tornar prisioneiro do seu cotidiano. 

Fim de uma era ?
''O Menino e a Garça'' é produzido pelo conhecido estúdio de animação japonês, Studio Ghibli, além de ser dirigido por um dos seus fundadores, o icônico Hayao Miyazaki, de 83 anos. Rumores diziam que o filme poderia ser o seu último trabalho dele no cinema, após um legado emblemático com obras como ''A Viagem de Chihiro'', ''A Princesa Mononoke'' e ''Meu Amigo Totoro''. 

Sobre a aposentadoria do cineasta japonês, o presidente do Studio Ghibli Toshio Suzuki, durante uma coletiva de imprensa informada pelo jornal francês Libération, disse que o diretor já pensa no próximo projeto e reiteirou que ''O Menino e a Garça'' não será o último filme de Miyazaki.

O estúdio não investiu em divulgações do tipo trailer, imagem, sinopse e nenhum tipo de detalhe extra do filme antes da sua estreia, marcada por ter sido o primeiro filme de animação da história a abrir o Festival Internacional de Cinema de Toronto, além de vencer o BAFTA na categoria de Melhor Longa-metragem de Animação.

O diretor japonês também assina roteiro do longa-metragem, inspirado no livro de Genzaburo Yoshino, lançado em 1937, ''How Do You Live?'' -  a tradução literal seria ''Como você vive?''-, que quase marcou nome do filme na distribuição do ocidente.  

É verdade que o tom de despedida marca a narrativa da história de Mahito, muitas vezes convergindo com a vida pessoal de Miyazaki, que demonstrou um lado mais intimista, referenciando suas obras anteriores, deixando mensagens ao longo do filme para os fãs do Studio Ghibli, como as capas de livros fazendo referências a outros projetos do estúdio.  

Além disso, a alegoria do diretor trabalha a jornada do herói com maestria. Nessa aventura acompanhamos o crescimento e amadurecimento de Mahito, que para entender a sua história se dispôs a contemplar o valor e impacto do legado deixado para ele por ente querido, bem como o espectador deve se sentir apreciando ''O Menino e a Garça'', como uma premonição de um até logo de Miyazaki.  

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