Hermila Guedes celebra seus 20 anos de trabalho como atriz

Trajetória de Hermila Guedes começou no curta-metragem 'O pedido', de Adelina Pontual. Recentemente, esteve no filme 'Paraíso perdido', de Monique Gardenberg

Hermila Guedes no filme 'O pedido', de Adelina PontualHermila Guedes no filme 'O pedido', de Adelina Pontual - Foto: Divulgação

Entre 1998 e 1999, Hermila Guedes participou do curta-metragem "O Pedido", de Adelina Pontual, e da peça de teatro "A duquesa dos cajus", de João Ferreira. "Fui pensando que queria lidar melhor com o público, já que na época estava fazendo o curso Turismo. Não foi pensando em mudar a carreira, nada disso", diz a atriz, que neste ano completa duas décadas de carreira.

"A primeira coisa que me vem na cabeça é que, para quem nunca imaginava seguir carreira, 20 anos depois conseguir fazer meu trabalho, morando no Recife, que é fora do eixo do mercado, no Rio de Janeiro e em São Paulo, é um privilégio", ressalta Hermila Guedes, que recentemente esteve em cartaz com o ótimo melodrama musical "Paraíso Perdido", de Monique Gardenberg.

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Hermila Guedes chegou a esses trabalhos através de amigos. "Um dos meus vizinhos, na adolescência, era genro do ator João Ferreira, que estava montando uma peça. Faltava uma pessoa, e eles me chamaram. Durante os ensaios, descobrimos um teste para o filme de Adelina, então eu e mais duas meninas fizemos o teste. Foi aí que começou minha vida no cinema", detalha.

No curta, ela trabalhou com a atriz Geninha da Rosa Borges. "Eu não tinha experiência. Estava começando a fazer teatro e isso talvez tenha me ajudado a entender a linguagem do cinema, mais realista e minimalista. O que mais me marcou no cinema foi o cronograma, os horários, a quantidade de trabalho", reforça.

"Nunca tinha vivenciado isso profissionalmente. Nunca tinha ido a set de cinema. Não sabia como me portar diante da câmera. Tive muita ajuda, não só da Adelina, mas também da Geninha", comenta. "Um dia, na pausa para o almoço, tomei banho e tirei a caracterização da personagem, e a equipe me perguntou por que tinha feito isso, já que teríamos outro expediente à tarde. Eu não sabia. Tudo era um aprendizado", lembra.

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A estreia teve boa repercussão: ganhou prêmios, como o de melhor atriz no 4º Festival de Cinema do Recife (hoje Cine PE) e no 10º Cine Ceará. "A partir daí, os convites foram surgindo. Conheci Marcelo Gomes, que me chamou para 'Cinema, aspirinas e urubus' (2005); depois conheci Karim Aïnouz e então surgiu 'Céu de Suely' (2006)", revela a atriz, que participou ainda, nos anos seguintes, de "Baixio das bestas", de Cláudio Assis, e "Deserto feliz", de Paulo Caldas, ambos de 2007.

Preparação

Quando recebe um novo papel, Hermila Guedes diz que precisa se apaixonar pela personagem. "Paixão significa que essa personagem precisa me desafiar e me transformar. Me dar a possibilidade de ser alguém diferente de mim mesma. É essa paixão que me estimula", explica.

Para a atriz, o trabalho no teatro é fundamental. "Teatro é a grande oportunidade, o grande exercício. Mas eu tenho muita dificuldade. Meu problema com o teatro é a plateia. Sou muito tímida. Com a câmera eu lido melhor", opina Hermila, que cita a formação do Coletivo Angu de Teatro como um dos momentos mais marcantes de sua carreira.

"No teatro o ensaio é muito importante, já que é feito ao vivo. No cinema, gosto de ver o processo de construção do personagem. Adoro participar da preparação junto ao elenco. A TV é um dos lugares mais difíceis para mim, por conta do ritmo, do tempo, que não permite viver os processos. A personagem é construída na hora", detalha.

Na TV, Hermila Guedes participou de novelas como "Ciranda de pedra" e séries como "Força-tarefa" e "Cidade Proibida", da Globo; e "Fim do mundo", minissérie do Canal Brasil dirigida pelos pernambucanos Hilton Lacerda e Lírio Ferreira.

Seu trabalho mais recente é "Assédio", que será exibida na Globo, inspirada no livro "A Clínica - a farsa e os crimes de Roger Abdelmassih", de Vicente Vilardaga, sobre o ex-médico preso por abusar de suas pacientes. "Minha personagem é uma das vítimas. É uma nordestina que junta todo dinheiro para poder realizar o sonho de ser mãe, e de repente se vê numa situação como essa", adianta.

No enredo, ela faz um casal com João Miguel, ator que já trabalhou em filmes como "Cinema, aspirinas e urubus" e "Deserto feliz". "Ficamos bem felizes de estar juntos novamente", reforça a atriz.


Cinema pernambucano

A carreira de Hermila Guedes coincide com o período mais intenso do cinema pernambucano, que nas últimas décadas chegou com força em festivais nacionais e internacionais. Nos últimos anos, diretores como Claudio Assis e Marcelo Gomes, que já trabalharam com a atriz, e outros como Kleber Mendonça Filho e Gabriel Mascaro, chegaram a festivais como Cannes e Berlim.

Quando comecei a fazer cinema, a queixa era a falta de apoio. As pessoas faziam com muita vontade de dar certo. E, 20 anos depois, o cinema pernambucano é referência nacional", diz. "Superamos fronteiras e preconceitos. O mais importante é que fazemos tudo isso e continuamos com a mesma identidade e a mesma força e vontade." 

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