Homem que fascinou a Terra: filme estrelado por Bowie é exibido no Recife

“O Homem que Caiu na Terra” tem sessões no Cinema São Luiz e no Cinema do Museu

Músico interpreta o alienígena Thomas Jerome Newton, que aporta na Terra em busca de água para salvar seu planeta de origem da secaMúsico interpreta o alienígena Thomas Jerome Newton, que aporta na Terra em busca de água para salvar seu planeta de origem da seca - Foto: Zeta filmes/Divulgação

Não poderia haver um papel melhor para David Bowie fazer sua incursão no cinema do que o alienígena Thomas Jerome Newton, que aporta na Terra em busca de água para salvar seu planeta de origem da seca. Com a carreira marcada desde o início pelos personagens forasteiros que davam a tônica dos seus álbuns, o músico britânico parecia mesmo um homem que havia caído das estrelas e, talvez por isso, embora não fosse ator, soa completamente espontâneo na pele do protagonista de “O Homem que Caiu na Terra” (“The Man Who Fell To Earth”), que estreou em 1976 sob a direção de Nicolas Roeg.

Em comemoração aos seus 40 anos, o longa-metragem, que é uma adaptação do livro homônimo de Walter Tevis, foi restaurado em 4K no ano passado e a nova cópia entra em cartaz no Recife nesta quinta-feira (12), com sessões no Cinema São Luiz e no Cinema do Museu. A chegada do filme ao Brasil também aproveita as comemorações dos 70 anos do cantor, que seriam completos no último domingo, além de lembrar a sua morte, que aconteceu há exatamente um ano na última terça. Apesar de trazer Bowie no auge da sua beleza, o que imprime parte do magnetismo que o personagem demanda, a ficção científica retrata o músico em um dos momentos mais destrutivos da sua vida pessoal.

As gravações de 1975, pouco depois do lançamento do disco “Young Americans”, fizeram parte de uma rotina descontrolada do cantor, que vivia à base de cocaína e da exótica dieta de leite, pimentas e sorvete. O uso exagerado da droga provocava alucinações e paranoias no cantor britânico, que chegou a exorcizar a piscina da casa de Los Angeles, para onde havia se mudado na época, alegando ter visto o diabo dentro dela. “Os dias mais sombrios da minha vida”, resumiu Bowie anos mais tarde ao revelar também que estava “chapado” do começo ao fim das gravações. Mesmo que a interferência química não tenha sido usada como uma ferramenta para sua atuação, o comportamento perturbador acabou tornando a sua performance mais convincente.

O contraponto que torna Sr. Newton mais humano é a inesperada paixão por uma mulher simples como Mary-Lou, interpretada por Candy Clark, que passa a viver com o milionário esquisitão, sem suspeitar da sua condição extraterrestre. Depois de patentear um tipo de tecnologia ainda desconhecida na Terra, o personagem cria sua própria empresa e se torna uma potência financeira sem concorrentes, dada a vanguarda do seu conhecimento. No entanto, a inteligência avançada não omite a vulnerabilidade que o torna um alvo de outros cientistas.

Apesar de deixar algumas pontas soltas e contar com uma linha narrativa confusa, o filme se tornou uma peça cult pela sua peculiaridade. Uma ficção com doses de realidade ao falar sobre se sentir estrangeiro, encontrar o seu lugar através do amor e lidar com as consequências que o sucesso traz. Poderia ser um disco de Bowie, mas trata-se de um livro escrito em 1963, antes mesmo de o artista surgir.

Trilha


Depois de quatro décadas perdidas, as tapes originais da trilha sonora de “O Homem que Caiu na Terra” foram encontradas, possibilitando o seu lançamento pela primeira vez em novembro de 2016, pela Universal Music. Além de músicas de Bowie, o material conta com faixas de John Philips, do The Mamas & The Papas, e Stomu Yamash’ta. A trilha foi lançada em versão de luxo, com dois vinis e um livreto ilustrado de 48 páginas.

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