Hugh Jackman mostra suas garras pela última vez na pele de Wolverine

Trama mostra o personagem principal em um futuro distópico, onde quase todos os mutantes estão mortos

Laura (Dafne Keen) tem as garras e o poder de cura de WolverineLaura (Dafne Keen) tem as garras e o poder de cura de Wolverine - Foto: Fox Films/Divulgação

Há 17 anos, a Fox dava o pontapé inicial no que se tornaria a febre de filmes baseados em quadrinhos, que hoje se prova o filão mais rentável da indústria cinematográfica. Apesar de, aos olhos de hoje, “X-Men: O Filme” pareça problemático, a produção e suas quatro sequências se tornam cruciais para o conceito de ciclo entre o núcleo de mutantes liderados pelo Professor Xavier (Patrick Stewart) e o “bad man” Wolverine (Hugh Jackman), que põe as garras de adamantium de fora pela última vez em “Logan”, que estreia nesta quinta-feira (2).

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Com direção de James Mangold (“Wolverine Imortal”), a trama mostra o personagem principal em um futuro distópico, onde quase todos os mutantes estão mortos. Logan vive a vida fazendo bicos como motorista, além de morar em um esconderijo com um debilitado Xavier, à beira da morte e sofrendo de fortes convulsões. Vale lembrar que este é o cérebro mais poderoso do mundo, sendo lentamente degradado por uma doença.

 E é nesta relação quase paternal que está o maior triunfo do filme. Sim, a história permite ser apreciada até mesmo por olhos novatos na franquia X-Men, mas é muito difícil haver o mesmo impacto emocional de ver os dois homens já marcados pelo tempo e por arrependimentos do passado sem ter acompanhado a longa jornada que os levou até ali.
A rotina dos dois muda com a chegada da pequena Laura (Dafne Keen). Assim como Logan, ela foi transformada em uma máquina de combate, portando inclusive as garras e o fator de cura. A missão de Wolverine então vira levar a pequena até a fronteira dos EUA com o Canadá, onde um grupo de outros mutantes mirins, em fuga do vilão Donald Pierce (Boyd Holbrook).
Apesar do material base, seria errôneo classificar “Logan” como um filme de super-heróis. As cenas de matança e membros decepados (e há varias) são justificadas, e o clima fantasioso de outros longas como “Vingadores” e até o próprio “X-Men” dão lugar ao tom sépia e desolador que remete a “Mad Max”.
O filme, no entanto, possui problemas pontuais que, apesar de não estragarem a experiência, geram desconforto por serem detalhes bobos, que poderiam ser resolvidos com um pouco mais de cuidado de roteiro. Sem entregar spoilers, há uma cena, por exemplo, em que Logan descobre sobre o passado da pequena Laura através de um vídeo que não poderia ter sido produzido em tão pouco tempo, nem da forma em que foi apresentado.

Mais grave ainda é mais de um acontecimento do filme não possuir explicação plausível para ocorrer, deixando ao espectador o sentimento de que tal coisa só foi possível “porque sim”, ou para dar movimento à trama, como a razão pela fragilidade de Logan e um determinado limite à caçada dos vilões ao grupo de Laura.

 O roteiro então derrapa, e feio, na apresentação do conflito final, que parece justamente tirada dos quadrinhos “inocentes” que o longa se esforça para evitar. Caso seja de fato a última aparição de Hugh Jackman como Wolverine, o filme serve como o encerramento perfeito do ciclo do personagem. Ideal até mesmo seria não haver outro Wolverine nos cinemas. Mas todos sabem como Hollywood é...

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