Humanidade além dos limites na série 'Altered Carbon'

Nova série da Netflix, traz um futuro distópico, no qual reside a imortalidade

Na trama, corpos são somente invólucros para o armazenamento de memóriasNa trama, corpos são somente invólucros para o armazenamento de memórias - Foto: Divulgação

A busca pelo desconhecido é um dos propulsores da ficção científica. Em "Jornada nas Estrelas", o espaço distante é a próxima fronteira. Em "Blade Runner", é o próprio conceito de humanidade. Já em "Altered Carbon", nova série da Netflix, a exploração surge da questão: quais seriam as implicações sociais caso nossos corpos não passassem de invólucros para memórias que podem ser eternamente transferidas?

Os planos para adaptar "Carbono Alterado", livro de 2002 do inglês Richard Morgan (lançado no ano passado no Brasil), já existiam desde 2006, quando o produtor Joel Silver ("Matrix") comprou os direitos para lançar um filme adolescente pela Warner. O estúdio não foi em frente com o projeto, e os direitos retornaram para o autor. "O material original não foi feito para uma censura baixa", afirma a roteirista e produtora Laeta Kalogridis ("Ilha do Medo"), que, em 2012, decidiu ligar para Morgan em busca dos direitos.

Leia também:
Terceiro filme da série 'Cloverfield' é lançado 'de surpresa' pela Netflix
Série 'One Day At A Time' aborda temas difíceis com humor
Filme 'Sem Fôlego' conta história sobre o fim da infância


A Netflix topou o desafio, com Kalogridis no comando criativo e investiu pesado: alugou um dos maiores estúdios de Vancouver, no Canadá, e desembolsou cerca de US$ 7 milhões por capítulo, contratando Miguel Sapochnik, um dos principais diretores de "Game of Thrones", para o episódio-piloto. A trama se passa em um futuro no qual a barreira da mortalidade foi eliminada com a transferência dos dados mentais ("cartuchos") para "capas", corpos aleatórios (para a população que não pode pagar) ou escolhidos a dedo (os mais ricos).



"Meus três primeiros dias de filmagens foram sem roupa. Acho que foi por isso que me pagaram bem", brinca Joel Kinnaman (o RoboCop de 2014), que faz o papel de Takeshi Kovacs, ex-membro da força rebelde de elite de um planeta colonizado por japoneses e eslavos. Kovacs tem as memórias transferidas para uma nova capa após passar 250 anos numa prisão digital. Ele acorda na San Francisco do século 25 a pedido de Laurens Bancroft (James Purefoy), um ricaço com mais de 300 anos que teria se matado (ou sido assassinado) dias antes. Ele contrata o ex-militar para encontrar o suposto assassino. A investigação serve para o roteiro discutir imortalidade, o aumento no abismo entre classes e religião - os católicos não aceitam a transferência digital.

Veja também

Cine Kurumin apresenta diversidade do cinema indígena no ambiente virtual
CINEMA

Cine Kurumin apresenta diversidade do cinema indígena no ambiente virtual

Doação da Netflix ajuda mais de 5.000 profissionais do setor audiovisual
streaming

Doação da Netflix ajuda mais de 5 mil profissionais do audiovisual