Igualdade de gênero no mundo dos games

Portomídia Game Jam das Minas se dedica a dar visibilidade e ampliar a atuação de profissionais mulheres na área de jogos eletrônicos

Tatyane Calixto, Catarina Macena e Camila dos Anjos participam do Portomídia Game Jam das MinasTatyane Calixto, Catarina Macena e Camila dos Anjos participam do Portomídia Game Jam das Minas - Foto: Divulgação

O mercado de games e a cultura geek são geralmente associados a homens: de jogadores a artistas, programadores e designers, são ambientes que refletem outros campos da sociedade, com o público masculino tendo o maior destaque. Pensando nesse desequilíbrio, começa amanhã a primeira parte do Portomídia Game Jam das Minas, evento dedicado a dar visibilidade e empoderar profissionais que estudam ou trabalham na área. E fazem as "jams", momento de encontros coletivos, como uma maratona para criação de jogos, sem finalidade competitiva.

Organizado por Catarina Macena, o evento se estrutura em três momentos. Primeiro, neste sábado (24), com um workshop sobre a ferramenta Unity, programa utilizado para desenvolver jogos em 2D e 3D, ministrado pela professora Tatyane Calixto; depois, dos dias 2 a 4 de março, os participantes da oficina terão 48 horas para criar novos games; por fim, no dia 10 de março, está programado um momento para reflexão sobre as experiências e discussões sobre os resultados.

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"Frequento as jams do Recife há alguns anos e percebi que, infelizmente, a quantidade de mulheres é sempre muito pequena", diz Catarina. "Fiquei imaginando se uma jam com foco no público feminino teria sucesso e sondei algumas pessoas da área, para avaliar o interesse e a disposição em ajudar. Com as respostas positivas, levei a ideia para o Porto Digital, que ofereceu a estrutura para a Jam das Minas", detalha.

O evento debate questões sobre representatividade e empoderamento. "Esse tipo de iniciativa é importante porque dá visibilidade às mulheres que trabalham na área de jogos", diz Tatyane. "É um evento interessante para reunir estudantes e quem atua no mercado de trabalho e empoderá-las. É um setor essencialmente masculino. Mas todos já começaram a olhar para si e, às vezes, percebem vícios machistas. Essa iniciativa é para engajar e inspirar as mulheres que tentam entrar no mercado de trabalho", ressalta.

Estereótipos

Games costumam seguir certos estereótipos populares no cinema e nos quadrinhos. "As personagens femininas são diferentes dos personagens masculinos. Uma das questões que precisa ser refletida é como escrever uma personagem feminina dentro dos jogos", sugere Tatyane.

"Não só a questão da sexualização, mas também que os homens são retratados com força e poder, enquanto as mulheres são mais frágeis e sexualizadas. Esse estereótipo é, segundo uma pesquisa, uma das coisas que ainda diminui a presença das mulheres nos jogos", destaca.

#MyGameMyName

O ambiente dos games acaba refletindo a cultura machista que ocorre em diferentes espaços da sociedade. "A presença feminina ainda causa muita polêmica. Estamos sempre sendo testadas para saber se temos conhecimento geek 'o suficiente' e as meninas que jogam on-line são constantemente assediadas e/ou culpadas pelos resultados das partidas", diz Catarina.

A ação #MyGameMyName (traduzido como #MeuJogoMeuNome) foi feita para provocar o mercado dos games. Criado pelo Wonder Women Tech, em parceria com a Women Up Games e a Boot Kamp, o projeto convidou youtubers homens para criar contas em jogos on-line usando nomes femininos.

"É meio que uma troca de papéis para os homens sentirem o que as mulheres sentem, os xingamentos, as ofensas, o assédio", diz Tatyane. "Essa campanha foi utilizada para combater isso, porque muitas vezes a mulher não coloca nomes femininos, apenas as iniciais, com medo desse tipo de assédio", ressalta.

Os games, assim como outros produtos de arte e entretenimento, são recortes da sociedade contemporânea. "Jogos retratam nossa cultura. O jogo, como uma plataforma multimídia, carrega uma verdade, uma identidade social", diz Tatyane. "A gente traz essas reflexões, de como a mulher é vista e retratada no jogo, como a comunidade geek trabalha com a mulher jogando e desenvolvendo jogos. Tratamos das questões relacionadas à desigualdade de gênero", ressalta.


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