Impopular, "Scream Queens" retorna desafiando o politicamente correto

Desde a estreia, a série perdeu 41% dos espectadores entre 18 e 49 anos

Paulo participou da primeira sessão legislativa do semestrePaulo participou da primeira sessão legislativa do semestre - Foto: Henrique Genecy

Em "Scream Queens", o bom-mocismo não têm vez. Ainda que a comédia de terror do trio de produtores-roteiristas Ryan Murphy, Brad Falchuck e Ian Brennan, agora em sua segunda temporada, não se decida entre satirizar meninas malvadas ou se comportar como uma, seu comentário social sobre classe, gênero e raça manda o politicamente correto, tão em alta nestes tempos, pela janela.

A acidez é território novo para Lea Michele após seis anos de "Glee", dramédia que a alçou a garota-propaganda da inclusão com sua mensagem de tolerância a nerds e demais párias estudantis. E Lea não glorifica a essa recém-encontrada subversão.
"Acho que, no fim do dia, 'Scream Queens' é só uma comédia", minimiza a atriz, retomando a cartilha certinha. "E é uma plataforma para mulheres fortes, onde me orgulho em interpretar uma personagem durona."

Detonado pela crítica, o primeiro ano da série acompanhou a Kappa Kappa Tau, típica sororidade americana, ameaçada de extinção pela inescrupulosa reitora Munsch (Jamie Lee Curtis) e comandada pela intragável Chanel Oberlin (Emma Roberts) e por suas bajuladoras, as Chanels 3 e 5 (Billie Lourd e Abigail Breslin).

Entre uma e outra ofensa das patricinhas, um assassino mascarado coleciona vítimas no campus no melhor estilo slasher, cortesia dos anos 1980, com referências a clássicos como "Pânico" e "Hellraiser"

Munida de um colar cervical, Lea -que credita seu timing cômico a horas assistindo a Gilda Radner, Cheri Oteri e Molly Shannon nos esquetes do "Saturday Night Live"- é Hester, caloura feia, impopular e vingativa que incrimina as Chanels pelo banho de sangue.

Hannibal Hester
Nos novos episódios, o horror da época universitária parece ter ficado para trás, e as Chanels tentam recomeçar a vida como residentes em um hospital caquético. Mas o local esconde um segredo, e o sangue volta a ser derramado nas roupas de grife do trio.

"Este ano há um novo assassino, talvez mais de um", adianta Lea. "A Hester não está envolvida, mas todos se voltam a ela em busca de informação. Ainda é a mesma personagem, mas em uma condição diferente."

A condição é psiquiátrica, com Hester presa em uma cela de vidro à la Hannibal Lecter, com direito à máscara clássica -desconfortável, mas "bem melhor que o colar cervical", segundo a atriz- e nova alcunha: Hannibal Hester.

Mas nem a homenagem ao canibal, nem a adição de duas gerações de galãs canastrões -John Stamos, de "Três É Demais", e Taylor Lautner, da saga "Crepúsculo"- pouparam "Scream Queens" da derrapada na audiência, que ameaça seu futuro. Desde a estreia, a série perdeu 41% dos espectadores entre 18 e 49 anos, faixa etária mais valorizada entre os anunciantes nos Estados Unidos. Confira o teaser da segunda temporada:

  O fracasso pode ser explicado pela indiferença dos próprios criadores, que parecem mais interessados em alavancar as antologias "American Horror Story" e "American Crime Story", esta última vencedora de nove prêmios na última edição do Emmy.
Nada que perturbe Lea. Amiga íntima de Ryan Murphy, ela diz que "trabalharia com ele pelo resto da vida" e já tem o próximo papel em mente: quer ser Donatella na terceira temporada de "American Crime Story", centrada no assassinato do estilista Gianni Versace, em 1997.

"Ryan merece muito mais reconhecimento do que recebe. Ele tem interesses diversos, sempre pensa fora da caixa e seus programas são todos muito únicos. É um dos grandes da televisão."

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