Importância crucial de nosso patrimônio

Fernando Guerra de Souza lança o livro “Adros, pátios e praças públicas”, neste sábado (18), às 11h, na sede do Instituto Arqueológico

Ciro Gomes e Paulo CâmaraCiro Gomes e Paulo Câmara - Foto: Henrique Genecy/Folha de Pernambuco

 

Os espaços públicos são, por natureza, de posse e uso de todos. As cidades pós-modernas, com seus condomínios fechados e shoppings, têm condicionado a população a usufruir apenas do que os espaços privados oferecem, renegando os ambientes de verdadeira sociabilidade urbana.

Em Pernambuco, apesar da fase de abandono em que se encontram, muitos desses lugares sobrevivem e carregam em si grande valor histórico. O arquiteto Fernando Guerra de Souza dedicou anos de sua vida a estudar o assunto. O resultado de tantas pesquisas pode ser encontrado no livro “Adros, pátios e praças públicas”, que ele lança amanhã, às 11h, na sede do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP).
Ao longo de 117 páginas, o autor explora as formas de uso e histórias de tais espaços em Recife e Olinda, além de cidades do Interior. “Esse tema me acompanha desde 2000, durante o mestrado. Eu fui ampliando o trabalho aos poucos. Depois de passar sete anos como coordenador do patrimônio histórico do Palácio do Campo das Princesas, comecei a dar uma acelerada no processo. Modifiquei um pouco o texto e inclui outros municípios no mapeamento”, afirma o escritor.

O livro integra a coleção “Documentos históricos municipais”, editado pelo Centro de Estudos de História Municipal (CEHM), que tem como coordenador Miguel Meira. Os primeiros capítulos da obra são dedicados a traçar a evolução dos espaços públicos ao longo dos períodos históricos da humanidade.

“Começo falando das aldeias, contando a experiência que tive ao lado de Roberto da Matta com os índios caiapós, no Xingu. Depois, falo das cidades gregas e romanas, passando pelo período medieval e o barroco, até chegar aos dias de hoje”, detalha Fernando.

Os adros da Matriz de São Salvador do Mundo (Alto da Sé), a praça Maciel Pinheiro (bairro da Boa Vista) e o pátio de São Pedro (bairro de Santo Antônio) são alguns dos pontos estudados pelo pesquisador. A publicação conta ainda com apresentação do arquiteto José Luiz Mota Menezes.
Doutor em Arqueologia e Conservação do Patrimônio, Fernando alerta para o estado de conservação da maioria dos locais citados no estudo desenvolvido por ele. “Há, do ponto de vista histórico e cultural, um descaso tremendo. Olinda, particularmente, está em estado de pré-ruína. A situação é quase caótica, já que as últimas gestões abriram mão do patrimônio da cidade. Em Recife, a situação é um pouco melhor, mas ainda é alarmante. Nós temos vários monumentos abandonados, como a Basílica da Penha, no bairro de São José”, lamenta.

O livro será vendido por R$ 40, no lançamento. E depois pode ser encontrado na Cepe, no CEHM, na Livrarias Jaqueira e Cultura do Paço Alfândega.

 

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