Inéditas e gravações para Adoniran

Autor de músicas como “Saudosa Maloca” e “Trem das Onze”, Adoniran Barbosa teve 14 canções resgatadas em disco. E ainda ganhará longa e exposição

O secretário de Governo e Participação Social do Recife, Sileno Guedes (D), entrega ao presidente da Câmara Municipal, o vereador Eduardo Marques (PSB), o Projeto de Lei da revisão do Plano Diretor à Câmara MunicipalO secretário de Governo e Participação Social do Recife, Sileno Guedes (D), entrega ao presidente da Câmara Municipal, o vereador Eduardo Marques (PSB), o Projeto de Lei da revisão do Plano Diretor à Câmara Municipal - Foto: Inaldo Lins/ PCR

Um tesouro do samba paulistano foi encontrado. Produtores e pesquisadores da vida e da obra de Adoniran Barbosa (1910-1982) tiveram acesso a 14 canções inéditas do compositor de “Saudosa Maloca” e “Trem das Onze”. 

Cantores como Ney Matogrosso, Criolo e Fabiana Cozza foram convidados a dar voz a essas canções, que agora estão disponíveis na internet e no boxe (com CD e DVD) “Se Assoprar, Posso Acender de Novo” - já à venda nas lojas (preço médio de R$ 35).
As boas notícias ainda não acabaram. No ano que vem, deve ser lançado um filme sobre a vida do compositor, além de um documentário biográfico e uma grande exposição.

A história sobre essas canções inéditas começa com o cineasta Pedro Serrano, que escreveu e dirigiu o curta-metragem “Dá Licença de Contar”. “Ouvindo as canções do Adoniran, eu tinha vontade de contar a história narrada nas letras, que são muito visuais. No meio do processo, resolvi contar a história de vida dele”, explica Serrano.

Com o cantor e ator Paulo Miklos no papel de Adoniran, o curta fez sucesso por onde passou e começou a abrir caminhos para produções maiores sobre o compositor paulista. “De início, achamos que a produção seria rejeitada em outros estados. Pensamos que só São Paulo tinha uma ligação mais forte com Adoniran”, conta o produtor Cássio Pardini. Eles acabaram recusados no Festival de Curtas em São Paulo, mas participaram do Festival de Gramado, do Festival do Rio e foram premiados no País Basco.

“Percebemos, então, que o Adoniran era do mundo! O curta deu credibilidade para falarmos com a família e os amigos dele, e logo vimos a necessidade de fazer um documentário biográfico também”, conta Pardini.

No meio dessa pesquisa, um amigo de Adoniran ainda vivo, que trabalha na rádio Eldorado - lugar bastante frequentado pelo sambista -, disse ao produtor que havia canções inéditas guardadas. “Encontrei a editora que estava com esse material e liguei para a filha dele, Maria Helena Rubinato, para confirmar se o material era mesmo oficial. E ela me confirmou que sim.”

Com a prova em mãos, Pardini convocou o produtor musical Lucas Mayer para saber o que fazer com as músicas. “A gente se deparou com esse problema. Temos um tesouro em mãos, mas quem vai interpretar isso? O Adoniran tinha um jeito de cantar que era só dele”, lembra. “Ainda mais que Adoniran era apenas um personagem para João Rubinato, seu nome real. Em algum momento da vida, ele achou que sambista imigrante italiano não iria ter credibilidade, então, pegou o nome de um colega de bar e uniu com o de um pintor carioca de que ele gostava”, conta Pardini.

Como teste, Mayer e Pardini decidiram enviar uma canção a Ney Matogrosso. Escolheram a faixa “Passou”. “Ele nos ligou dizendo que a música estava muito rápida, que era para ser mais lenta, porque era triste. Acabou quase um bolero”, diz Pardini.

O processo de gravação das canções e as entrevistas feitas com esses artistas foram registrados no DVD que acompanha o disco. As músicas e trechos desses vídeos estão no site www.adoniranbarbosa.com.br.

 

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