Ingrid Guimarães fala do humor como ferramenta política. Veja galeria de fotos e trailer

Atriz Ingrid Guimarães comenta a estreia de 'De Pernas Pro Ar 3': "É preciso manter o nosso público fiel ao cinema brasileiro, senão daqui a pouco vamos estar consumindo apenas séries gringas na Netflix e filmes de super-heróis", criticou

Cena do filme 'De pernas pro ar 3'Cena do filme 'De pernas pro ar 3' - Foto: Emmanuele Jacobson Roques/Divulgação

Os números impressionam: a história da empresária Alice, interpretada pela atriz Ingrid Guimarães, já arrastou cerca de 8,5 milhões de expectadores para os cinemas. E é por isso que "De Pernas Pro Ar 3" está sendo encarado como a grande aposta dos exibidores brasileiros, e o maior lançamento nacional de 2019. "Quando o primeiro filme da série estreou, há dez anos, ninguém achava que ia conseguir mais de 500 mil expectadores", relembra Ingrid. Agora, o circuito da comédia vai ocupar, a partir desta quinta-feira (11), 1010 salas em 312 cidades de todo o Brasil. Recife, inclusive.

Ingrid e seu parceiro em cena, Bruno Garcia, fizeram uma pré-estreia na última terça-feira (9) no Cinemark do Shopping RioMar, no Pina, onde falaram à imprensa local e arrancaram gargalhadas do público na abertura da sessão especial de cinema. A história da empresária Alice, fundora da Sex Delícia, uma sexshop multinacional, ganhou novos contornos e conflitos.



O sexo, na verdade, é apenas o pano de fundo para se discutir questões presentes em grande parte das famílias, como as crises dentro de relacionamentos (que afetam tanto os casais jovens, como os maduros), a relação entre pais e filhos, a disputa entre sogras e noras, e por aí vai. Com um roteiro enxuto e coeso, que não "cai" em momento nenhum e contém cenas engraçadíssimas (como aquela em que Alice experimenta óculos virtuais e tem um "encontro" com Cauã Raymmond), o filme prende a atenção do início ao fim e é uma ótima opção para toda a família assistir, abordando também temas universais que emocionam para além do riso.

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A série de filmes tem uma característica muito interessante, que é ter sido estrelada, produzida e dirigida por mulheres (respectivamente, Ingrid, Mariza Leão e Julia Rezende). Apesar disso, não é estritamente feminina. "Tenho vários amigos homens, tanto heteros como gays, que assistiram e se identificam muito com Alice", aponta a atriz, que se jogou de cabeça na divulgação da obra. "É preciso manter o nosso público fiel ao cinema brasileiro, senão daqui a pouco vamos estar consumindo apenas séries gringas na Netflix e filmes de super-heróis", criticou.

Crise na Ancine

À reportagem da Folha de Pernambuco, Ingrid confidenciou sua preocupação com a atual situação do cinema no País, que se agravou com a crise que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) vem enfrentando nos últimos meses. "Tenho esperança de que o atual governo perceba que não pode 'congelar' a cultura de um país. Caso contrário, a gente vai regredir aos patamares da era Collor", alerta. E para quem considera que comédia é algo "bobo" e sem impacto sobre a realidade, Ingrid aponta a função política do que produz. "Num momento triste como este, é uma delícia poder sair de casa, sentar e rir. As pessoas acham que rir é uma coisa boba, mas tem uma função importantíssima, ainda mais nesse momento que a gente está vivendo", finaliza.

Cotação: Ótimo

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