Janela Internacional de Cinema ganha patrocinadores

Após lançar campanha de financiamento coletivo, festival recebe aporte financeiro da Prefeitura do Recife e da Ancine

Em 2018, já com verba diminuta, o Janela foi reduzido para cinco dias, com consequentemente, queda também no número de filmes exibidosEm 2018, já com verba diminuta, o Janela foi reduzido para cinco dias, com consequentemente, queda também no número de filmes exibidos - Foto: Divulgação

A poucos dias da abertura, a 12ª edição do Janela Internacional de Cinema do Recife pode comemorar o acerto com dois importantes patrocinadores: a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura da Cidade, e o Fundo Setorial Audiovisual, da Ancine.

A primeira incrementou o aporte, passando de R$ 50 mil para R$ 100 mil neste ano, enquanto a segunda fonte de receita destinará R$ 120 mil para a realização do evento, marcado para acontecer entre os dias 6 e 10 de novembro. As exibições irão ocorrer nos cinemas São Luiz, Fundaj e no recém-inaugurado Cinema da UFPE.

Há pouco mais de 20 dias, a organização do festival havia declarado falta de suporte financeiro para a realização do mesmo. E, por essa razão, deu início a uma campanha de financiamento coletivo pela internet, no dia 8 outubro. Até o final da tarde de ontem, 80% da meta inicial (R$ 30 mil) já havia sido alcançada, através da plataforma Benfeitoria. De acordo com a assessoria do Janela, pelo fato de a campanha ser em formato "tudo ou nada", o valor só será recebido se forem atingidos os 100% da primeira meta, que expira no próximo dia 7.

"É importante termos claro que festivais como o Janela são realizados sem fins lucrativos. Trabalhamos mediante cachês condizentes com os valores de mercado, previamente estabelecidos e aprovados em mecanismos de incentivo e sobre os quais prestamos contas aos devidos sistemas de aporte", destacou a equipe do festival por meio de carta aberta.

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Em entrevista à Folha de Pernambuco, umas das coordenadoras do festival, Emilie Lesclaux, afirmou que mesmo com os patrocínios assegurados, o valor disponível atualmente não seria o suficiente para a realização do evento em versão mais pomposa. "Antes de a gente lançar o financiamento coletivo ainda não tínhamos conversado com a prefeitura para ver o valor que teria e, com certeza, não seria o suficiente para realizar o festival somente com esse valor. Quando souberam do financiamento coletivo houve a sensibilização e imediatamente quiseram marcar uma conversa. Depois recebemos a notícia do Fundo Setorial como mais um apoio. E, mesmo com esses dois patrocínios, a gente ainda não chega no valor ideal do janela", enfatizou. Em 2018, já com verba diminuta, o Janela foi reduzido para cinco dias, com consequentemente, queda também no número de filmes exibidos.


Leia carta aberta dos produtores do festival:

Queridas Amigas e Amigos do Janela,

Os tempos são difíceis mas há notícias boas. Após lançarmos a campanha de financiamento coletivo para o próximo Janela, obra de um mutirão de gente que quer ver o festival acontecer, recebemos três. A primeira, a imediata reação de apoio nas redes, e que fizeram atingirmos 80% de nossa primeira meta.

As outras duas, gratas surpresas, que tornam nossa narrativa mais alegre: com o anúncio de que o Janela estava sem incentivos para ser realizado, a Prefeitura do Recife, parceira anual, entendendo a importância de que o pensamento artístico não perca agentes, de que o mercado audiovisual local não perca fôlego e de que a rede de acesso à Cultura não encolha, nos ofereceu um montante especial, de R$ 100 mil, para patrocinar o evento.

Em seguida, nova notícia: recursos solicitados via convocatória do Fundo Setorial do Audiovisual, com que já não contávamos, foram concedidos ao Janela. Teremos mais cerca de R$ 120 mil. R$ 220 mil já garantidos para fazer a décima segunda edição do festival.

É importante termos claro: festivais como o Janela são realizados sem fins lucrativos. Trabalhamos mediante cachês condizentes com os valores de mercado, previamente estabelecidos e aprovados em mecanismos de incentivo e sobre os quais prestamos contas aos devidos sistemas de aporte. Somos trabalhadores, justamente.

Eventos de cultura, como festivais de cinema, não custam barato. Logística, remuneração, direitos de exibição, muitos e muitos detalhes. Um festival como o Janela, em especial, tem ao menos dois traços particulares:

O Janela é um festival internacional, que exibe filmes estrangeiros, inclusive cópias restauradas de grandes clássicos, em diálogo direto com arquivos e distribuidoras internacionais, e arca com custos como pagamentos de direitos, transporte internacional de sempre excelentes cópias, tradução e legendagem, isto em cenário de desvalorização da moeda brasileira. Nossa equipe de produção sempre deu um jeito de viabilizar o Janela com bem menos dinheiro que festivais do mesmo perfil e porte.

O Janela é como um fórum de cinema. Encontros, discussão e produção crítica são importantes, e por isso buscamos garantir que realizadores, produtores, críticos, programadores, possam estar entre nós. São custos de passagem e hospedagem para dezenas de pessoas.

Cada festival faz parte da cadeia que faz o cinema feito no Brasil chegar tão longe. Um festival como o Janela está na história de muitos filmes.

Quando o Janela pôde contar com incentivo da Petrobras e do Funcultura Audiovisual, chegamos a um orçamento de algo em torno de R$ 450 mil. Com isso, pudemos fazer edições de 10 dias de duração com convite a realizadores de todos os filmes brasileiros programados, filmes internacionais de diversos perfis, produção de catálogo, convidados. Dando um jeito de fazer.

No ano passado, sem apoio da Petrobras, nosso orçamento foi reduzido a mais da metade. Fizemos um lindo Janela, num momento em que precisávamos nos fortalecer uns aos outros. Mas não pudemos trazer ao Recife todas as pessoas importantes. Não tivemos como produzir um catálogo do festival. Precisamos reduzir a programação à metade. Conquistamos uma edição memorável. Nos bastidores, não foram as melhores condições.

Este ano, faríamos um belo e importante Janela de qualquer jeito. Mesmo que ainda menor, em condições mais difíceis ainda. Com as boas notícias, ganhamos a oportunidade de fazer novos planos.

Assim como na última edição, o Janela terá 5 dias de duração. Ocorrerá entre os dias 6 e 10 de novembro, no Cinema São Luiz, no Cinema da Fundação do Derby e no recém-inaugurado Cinema da UFPE, alegria especial ocupar este equipamento sensacional em ambiente universitário. Temos muito, muito trabalho pra fazer até lá.

O segundo foi reformular nossa campanha. Podemos fazer um festival mais próximo do que o Janela é, mas você ainda pode contribuir com os custos do festival, em troca de recompensas. As metas podem ser acessadas na página da campanha. A cada colaboração, esta se torna uma edição mais forte, uma edição para tempos de reforçar a importância de estar junto.

Aproveitamos para agradecer dois grandes parceiros que nos apoiam desde a primeira edição, o CCBA (Centro Cultural Brasil Alemanha) e a Embaixada da França no Brasil, assim como as centenas de pessoas que colaboraram através do Benfeitoria.


Cheguem perto,

Um grande abraço,

Equipe do Janela


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