Janela Internacional divulga lista de clássicos do cinema

"RoboCop", "Pinóquio" e "Hair" estão na programação do evento

Lenine vem ao Recife em julhoLenine vem ao Recife em julho - Foto: Flora Pimentel/Divulgação

A programação de Clássicos do Janela já está sendo divulgada com filmes que marcaram época e gerações. Pelo sétimo ano consecutivo, a mostra leva sucessos de bilheteria ou de crítica, para o deleite de cinéfilos durante o Janela Internacional de Cinema do Recife.

Este ano são treze longa-metragens que integram a grade do festival nos próximos dias 28 de outubro a 6 de novembro. Os filmes serão exibidos em cópias novas ou restauradas.

Como todos os anos, o Cine São Luiz será uma das salas de exibição, que, desde o ano passado, conta com equipamentos de projeção digital, incluindo novos processadores e amplificadores de som para formato Dolby 7.1. Outra sala de exibição dos Clássicos é o Cinema do Museu, em Casa Forte.

A novidade deste ano é a inclusão de um filme-surpresa que será anunciado somente na sua projeção. “Essa série de filmes do passado dialogam claramente com o presente em que a gente vive. E não só isso, os Clássicos do Janela também se comunicam com os filmes atuais que são exibidos no festival. Todos os anos é difícil essa escolha, porque temos muitos arquivos de distribuidoras da França, Inglaterra e Estados Unidos, com as quais temos contatos há anos. E fazer com que os filmes dialoguem entre si é um desafio instigante e interessante de ver”, explica o diretor e curador do Janela Internacional de Cinema do Recife, Kleber Mendonça Filho. Confira a lista de filmes divulgados até o momento:

Apocalypse Now (idem, EUA, 1979, 153 min), de Francis Ford Coppola
O épico espectacular de Francis Coppola, sua segunda Palma de Ouro em Cannes, é uma viagem de imagem e som feita por um soldado para tentar corrigir o coronel desobediente que partiu para virar Deus rio acima. The Doors, The Rolling Stones e Wagner nunca mais seriam os mesmos. Esse espetáculo, algo de circense, é uma experiência única para ser visto num cinema grande.

Eles Vivem (They Live, EUA, 1988, 93 min), de John Carpenter.
Na verdade, os ricos e poderosos são alienígenas que dominaram o planeta. Um operário recém-chegado a Los Angeles descobre o segredo e passa a circular como subversivo. Hipérbole sci-fi feita para ver em tempos de Ronald Reagan e para rever alto em tempos de Donald Trump, com memoráveis imagens de confronto.

Hair (idem, EUA, 1979, 121 min), de Milos Forman.
Essa delícia hippie chegou atrasada em plena era disco, mas o filme de Milos Forman para o musical de James Rado, Gerome Ragni e Galt MacDermot é um triunfo absoluto de boas vibrações, misturando o musical hollywoodiano com o deboche da contracultura. O filme foi um sucesso no Brasil de 1980, pegando em cheio o clima de abertura, e só no Recife ficou em cartaz 6 meses no espectacular Cinema Veneza, em cópia 70mm. Let the sun shine in.

Memórias do Subdesenvolvimento
(Memorias del SubDesarrollo, Cuba, 1968, 97 min), de Tomás Gutierrez Alea.
Depois que sua esposa e mãe foram para Miami após a Revolução Cubana, Sergio (Sergio Corrieri) anda por Havana como se tentasse entender o que acabou de acontecer. Estaria Sergio acima de tudo e de todos num mundo subdesenvolvido? O choque entre a percepção europeia e a realidade das ruas em Cuba faz de Sergio um atônito desobediente de sua própria realidade. Cópia restaurada lançada em Cannes 2016 de um clássico do cinema mundial feito na América Latina.

O Criado (The Servant, Reino Unido, 1963, 116 min), de Joseph Losey.
Dos melhores filmes sobre vaidade, birra e golpe, este drama encena com cinismo delicioso a disputa de poder entre um aristocrata e seu empregado doméstico, sob o teto de uma luxuosa residência londrina. Adaptação de romance que se tornou fina peça de dramaturgia em cinema.

O Porteiro da Noite (Il Portiere di Notte, Itália, 1974, 118 min), de Liliana Cavani.
A diretora Liliana Cavani e a roteirista Barbara Alberti dão vários nós nos laços de sujeição e dominação que envolvem um porteiro de hotel de luxo ex-oficial do Terceiro Reich e uma hóspede ex-vítima de um campo de concentração nazista. Memorável figura de Charlotte Rampling num filme erótico que se tornou escandaloso.

O Tambor (Die Blechtrommel, Alemanha, 1979, 162 min), de Volker Schlöndorff.
"Naquele dia, pensando no mundo dos adultos e no meu futuro, eu decidi parar tudo. Parar de crescer, bem ali, e ficar com três anos de idade, um gnomo, para todo sempre." A adaptação do livro de Günter Grass por Volker Schlöndorff dividiu com “Apocalypse Now” a Palma de Ouro de Cannes 1979 e é um filme absolutamente inesquecível sobre rebelar-se, exibido no Janela na versão do diretor.

Pinóquio (Pinnochio, EUA, 1940, 88 min), de Walt Disney.
Talhado em madeira pelo velho Gepeto, Pinóquio quer se tornar um menino de verdade. A animação que eternizou a figura da mentira em um nariz que cresce rebeldemente é, no fim das contas, uma bela fábula sobre persistência.

RoboCop – O Policial do Futuro (Robocop, EUA, 1987, 102 min), de Paul Verhoeven.
O primeiro filme do holandês Verhoeven nos EUA, ele chegou rindo de tudo. Em plena era Reagan, fez um pesadelo sci-fi neoliberal onde a polícia é privatizada, e a violência está à altura. Um policial massacrado vira protótipo de ciborgue futurista, o tira "perfeito" que logo irá desobedecer as diretrizes da empresa. Não é muito difícil visualizar as polícias brasileiras do século 21. Simplesmente fantástico.

Sedução e Vingança (Ms. 45, EUA, 1981, 80 min), de Abel Ferrara.
Íntima colega criativa de Abel Ferrara, Zöe Lund encarna uma costureira muda que, após ser estuprada, inicia uma cruzada de ataques contra os homens pelas ruas de uma Nova Iorque suja e sombria. A voltagem da insurreição deve ser aguda, enorme e espetacular.

Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon, EUA, 1975, 125 min), de Sidney Lumet
Nesta antológica parceria com Al Pacino, Sidney Lumet filma dois assaltantes de primeira viagem enquanto tentam orquestrar um roubo a banco em Nova Iorque. Exercício hábil de roteiro e direção que é também um thriller de tons burlescos sobre espetáculo, cumplicidade e desentendimento.

1 Berlim-Harlem (idem, Alemanha, 1974, 100 min), de Lothar Lambert e Wolfram Zobus.
Fassbinder, Ingrid Caven e a colaboradora de Andy Warhol Tally Brown são algumas das aparições incríveis nesta ficção quase secreta de zero orçamento em torno de um soldado americano negro, tornado amigo do diretor, em busca de uma vida massa na Berlim Ocidental da Guerra Fria. Racismo e liberdade são fetiche e problema ético para uma epopeia underground compassada por encontros sexuais, despudor, black disco e revolta queer.

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