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João Cabral de Melo Neto 100 anos - O centenário em homenagens

Celebrações pelo centenário do poeta pernambucano estão acontecendo em todo o País

João Cabral de Melo Neto, poetaJoão Cabral de Melo Neto, poeta - Foto: Folhapress/Arquivo

 

100 anos João Cabral de Melo Neto

100 anos João Cabral de Melo Neto - Crédito: Arte Folha PE/Greg 

 

As celebrações pelo centenário de João Cabral estão acontecendo em todo o País, e vão de uma inusitada homenagem durante o festival de bonecos gigantes "Mamulengá 2020", no município de Surubim, no Agreste pernambucano (onde estreia neste dia 09 uma montagem de "Morte e Vida Severina"), até o evento "Museu de Tudo", na Casa das Rosas, em São Paulo (que acontecerá no dia 18, com recitais, leituras dramáticas e palestras). Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Cultura (Secult) está organizando atividades ao longo de todo o ano, juntando poetas, escritores e estudantes da rede pública.

Segundo o secretário Gilberto Freyre Neto (que é aparentado com João Cabral), a ideia é celebrar conjuntamente seu centenário, os cem anos de Clarice Lispector e os 120 anos de Gilberto Freyre, todos completados em 2020. "Não gosto de me ater ao marco da data. Sim, nove de janeiro é um dia importante, mas janeiro não é um mês bom para nós, porque as escolas não funcionam. O aniversário de Clarice é em dezembro, que também é um mês complicado. Então, vamos tentar trabalhar isso de forma mais ampla, sem fixar exclusivamente em datas", adianta. Ele afirma que as ações estão sendo estabelecidas pelas secretarias de Cultura e Educação, com parcerias com instituições como a Academia Pernambucana de Letras, a Fundação Joaquim Nabuco e a Fundação Gilberto Freyre, e devem começar a ser postas em prática após o Carnaval.

Gilberto Freyre Neto diz que centenário de João Cabral será comemorado ao longo de todo o ano de 2020

Gilberto Freyre Neto diz que centenário de João Cabral será comemorado ao longo de todo o ano de 2020 - Crédito: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Na véspera do centenário, a Fundação Joaquim Nabuco divulgou que a Coordenação-Geral de Estudos da História Brasileira (Cehibra) recebeu oficialmente a doação de dezesseis fitas cassete contendo entrevistas realizadas com o poeta, nos anos 1990, pelo escritor José Castello, num total de cerca de 20 horas de conversas.

O material foi cedido pelo próprio José Castello, após conferência realizada durante o Seminário Internacional Casa-Grande Severina (promovido pela Fundaj no campus Derby, em dezembro do ano passado, em homenagem a João Cabral e a Gilberto Freyre). As mídias ficarão disponíveis para a consulta de estudiosos e da comunidade em geral. O legado do poeta também será celebrado através de edições comemorativas.

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O selo Alfaguara, da Companhia das Letras, prepara duas edições especiais: um volume em prosa, com discursos, entrevistas e outros textos dispersos, organizado pelo acadêmico Sérgio Martagão, e um volume com sua poesia completa, organizada pelo crítico e ensaísta Antonio Carlos Secchin. Secchin também é o autor de "João Cabral de Ponta a Ponta", uma análise da obra do poeta que estava esgotada e será relançada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

A editora Todavia traz uma biografia escrita pelo doutor em literatura e jornalista Ivan Marques, obra que procura cobrir toda a vida do autor. E Inez Cabral de Melo, filha de João, confessa aguardar com ansiedade a fotobiografia realizada por Eucanaã Ferraz e Valéria Lamego, que garimparam os álbuns da família, entre outras pérolas, e deve trazer o lado menos conhecido do poeta. A fotobiografia será publicada pela editora Verso Brasil - a mesma que, em 2018, relançou o livro "Joan Miró de Cabral", que trouxe para o Brasil as gravuras produzidas pelo artista espanhol para ilustrar a obra de João, de quem se tornou grande amigo durante o tempo em que o poeta morou na Espanha.

"Meu pai não gostava de homenagens, mas acho que agora, vendo lá de cima, talvez fique mais à vontade. Eu acho ótimo, porque ele merecia", conta Inez, que afirma que sua missão é provar ao mundo que João Cabral "além de grande poeta, era gente como a gente". "Nunca o achei frio nem sem emoção. Apenas mais preciso em falar delas, sem os derramamentos sentimentais que detestava", resume. 

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