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João Cândido Portinari realiza palestra concorrida sobre o pai, no Recife
Filho do pintor Cândido Portinari falou sobre a vida e obra do artista e acenou com a possibilidade de fazer uma exposição sobre ele em Pernambuco, em 2021
Crianças, retirantes, passistas, poetas, jangadeiros, caboclos, índios, namorados. O universo de Cândido Portinari se derramou sobre os pernambucanos, durante a palestra proferida nesta quinta-feira (07) por seu filho, João Cândido, no auditório do Instituto Ricardo Brennand, no bairro da Várzea. Diversos representantes da arte e da cultura, como professores universitários, pesquisadores, artistas e membros do governo estiveram presentes no evento "Do Cafezal à Onu", organizado pela agência Carvalheira.
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Além de saber mais sobre a vida e a obra de Cândido Portinari (1903-1962), quem assistiu à palestra se emocionou ao ouvir a história dos painéis "Guerra e Paz", presenteados pelo governo Brasileiro, em 1957, à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.
Os gigantescos murais de 14 metros de altura e 10 metros de largura cada um são uma espécie de chamado de Portinari à ação, instigando quem entra nos salões da entidade a tomar providências contra o sofrimento humano. "Guerra e Paz" também são o legado final de Portinari à humanidade: proibido de pintar por seus médicos, por conta da toxicidade das tintas à base de chumbo que eram utilizadas na época, ele teimou em eternizar sua mensagem, falecendo pouco tempo depois de finalizar suas obras-primas, como apenas 59 anos.
Os gigantescos murais de 14 metros de altura e 10 metros de largura cada um são uma espécie de chamado de Portinari à ação, instigando quem entra nos salões da entidade a tomar providências contra o sofrimento humano. "Guerra e Paz" também são o legado final de Portinari à humanidade: proibido de pintar por seus médicos, por conta da toxicidade das tintas à base de chumbo que eram utilizadas na época, ele teimou em eternizar sua mensagem, falecendo pouco tempo depois de finalizar suas obras-primas, como apenas 59 anos.
Dezessete anos após sua morte, seu filho João Cândido criou o Projeto Portinari para resgatar a memória do artista, que pouco a pouco se tornava um 'famoso desconhecido'. Aos 80, depois de ter passado metade da vida frente a essa missão, João Cândido tem orgulho de ter realizado um levantamento exaustivo, no Brasil e em dezenas de outros países, lançando um catálogo com 5 mil páginas onde estão registradas 5.400 obras e 30 mil documentos, entre os quais seis mil cartas que retratam a realidade de sua época e sua relação com outros brasileiros importantes como Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Graciliano Ramos e muitos outros.
Estiveram no evento personalidades como o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, que é professor do departamento de Física da UFPE e amigo de João Cândido Portinari, e o atual secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto. Dona Graça Brennand representou o marido, Ricardo, durante a apresentação. O Projeto Portinari pretende viabilizar uma exposição do artista no Recife, em 2021.



