João Carlos Martins – o maestro da superação – deu aula emocionante no Teatro RioMar

Artista tocou ao lado da Orquestra Criança Cidadã, que faz campanha para arrecadar fundos para apresentação em Nova York, em dezembro

Eduardo da Fonte e Miguel BarbosaEduardo da Fonte e Miguel Barbosa - Foto: Divulgação

Na matemática da vida do maestro João Carlos Martins, superação é um dos lemas que ele mais cultua. Aos 76 anos, sendo 63 de palco, entre a carreira como pianista e a fase mais recente em que se descobriu também como regente, ele esteve na noite da última terça-feira (8), no Teatro RioMar, para evento a convite do shopping de mesmo nome, no bairro do Pina, no Recife.

O músico acumula 22 cirurgias realizadas em internações em hospitais para que pudesse continuar tocando depois de sofrer acidentes que o deixaram com seqüelas aparentemente irreversíveis, tendo chegado a perder o movimento das mãos que anos antes o faziam executar 21 movimentos por segundo nas teclas do instrumento de predileção. O artista se apresentou ao lado da Orquestra Criança Cidadã, formada por moradores do Coque e arredores, que faz campanha para arrecadar fundos para conseguir viajar à sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos, onde tem concerto marcado no plenário da instituição, em celebração aos 70 anos da Unicef, para o dia 12 de dezembro deste ano. Para quem quiser fazer doação por meio da conta corrente, o número é: 300.000-1, ag. 3249-2, do Banco do Brasil.

Em noite que começou com palestra do consultor Carlos Ferreirinha, sobre mercado de luxo, João Carlos Martins foi o responsável por emocionar a plateia na segunda parte da programação, levando alguns espectadores, às lágrimas, time no qual me incluo, por ter diante dos olhos um ser humano que superou tantas tragédias e não perdeu a elegância e o bom humor. Ao executar ao piano músicas como da trilha de filmes como “Em algum lugar do passado” e ”Cinema Paradiso”, ele conseguiu imprimir personalidade a melodias conhecidas, e mostrou carisma ao intercalar as performances com breves histórias contadas ao microfone sobre suas andanças pelo mundo, em lugares como Cartagena, na Colômbia, em que experimentou sua primeira aventura amorosa; ou quando retomou a carreira como concertista, depois de ser desenganado pelos médicos, com apresentação para o Carnegie Hall de Nova York lotado em seus 2,8 mil lugares e com mais 300 cadeiras extras que se fez necessário providenciar. João Carlos é homem de superar expectativas e contrariar previsões.

Numa das pausas, o pianista comentou sobre o filme com sua biografia, que tem previsão de estreia para 7 de maio de 2017. Dirigido por Mauro Lima (o mesmo de “Tim Maia” e “Meu nome não é Johnny”), o longa-metragem traz o ator Alexandre Nero no papel de João Carlos na fase adulta, além de outros atores famosos, como Caco Ciocler, Fernanda Nobre e Alinne Moraes. Foi coproduzido pela LCBarreto, de Luiz Carlos Barreto, com a GloboFilmes e a Rio Filmes, com orçamento de R$ 9,1 milhões. Batizado simplesmente como “João”, a saga acompanha a vida dele desde a infância, tendo ingressado na profissão aos 13 anos de idade e estreado internacionalmente aos 18, até as muitas cirurgias pelas quais passou, e o processo de fisioterapia e treinos obsessivos até voltar a fazer tudo aquilo que os especialistas alegavam que ele não conseguiria. Na prévia que foi mostrada em primeira mão – pois o trailer oficial ainda não foi liberado pelo estúdio, há desde cenas como a em que ele passa por uma convulsão na escola e desmaia no pátio do colégio, até passagens dele homem feito, ao quase discutir com seu mordomo pois os vizinhos pediam que ele tocasse com a janela do apartamento aberta, para que o pudessem ouvir melhor, enquanto praticava as partituras ao piano.

E foi regendo que o artista encerrou a noite, primeiro liderando os músicos da OCC para executar “Trem das Onze”, o clássico de Adoniran Barbosa para o cancioneiro da MPB. Em seguida, do meio para o final deste número, ele se voltou para a plateia, e pediu que acompanhassem a orquestra cantando. Uma homenagem de São Paulo para o Recife, por um talento raro, que diz ter orgulho de ser brasileiro.

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