João Fênix 'canta suas histórias' em novo álbum

'Minha Boca não Tem Nome' é o sexto disco da carreira de João Fênix, que será lançado no Recife com show dentro do Janeiro de Grandes Espetáculos, mas já disponível nas plataformas digitais

Músico pernambucano João FênixMúsico pernambucano João Fênix - Foto: Leo Aversa/Divulgação

A mescla entre o tradicional e o contemporâneo sempre esteve presente na trajetória musical do pernambucano João Fênix, assim como a possibilidade de cantar as próprias histórias. Desde o seu primeiro trabalho "Eu, Causa e Efeito" (2001), esses eram os “embriões” de suas sonoridades, que permaneceram nas produções que se seguiram. Mas é no recente "Minha Boca não Tem Nome" (2018), o sexto disco de sua carreira que, artisticamente, ele mostra com mais veemência a sua personalidade e um lado confessional e espiritual revelados explicitamente em algumas faixas do disco, lançado recentemente.

“O tempo faz com que a gente fique experiente, mais assertivo. E é da minha personalidade trazer temas que passem pela minha verdade, algo que esteja me deixando inquieto, mexendo com a minha cabeça. Por essas razões o disco é forte, mistura acidez e fúria, mas, ao mesmo tempo, traz ideologias e sensualidade, com sonoridades distintas que integram o meu desejo na música, desde o início de carreira”, contou Fênix, em entrevista à Folha de Pernambuco.

Pronto para cair na estrada para apresentar o novo álbum - João Fênix se apresenta no Recife no dia 31 de janeiro, no Teatro de Santa Isabel, dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos e depois segue em turnê no Rio e em São Paulo - o músico explicita no novo disco a sua espiritualidade, ressaltada, por exemplo, em "Meu Elemento (É de Balé)", composta por Moreno Veloso e Igor de Carvalho, a pedido do próprio intérprete.

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É nela que o seu canto, como umbandista e filho de Iansã, traz à tona uma história pessoal, conduzida sob as bênçãos de quem ele chama de ‘sua orixá, mãe e dona de sua voz’, resaltada desde a capa do disco, que mostra um ‘Iansã masculino’ e faz alusão ao filme sobre o cantor italiano Carlo Maria Michelângelo Nicola Broschi, o Farinelli, castrado para, quando adulto, manter o seu timbre vocal.

   Fio condutor

“Essa música foi o fio condutor do disco. É nela que falo sobre como minha voz chegou para a música e como meu pedido foi atendido pelo universo e por minha mãe Iansã”, descreve João, sobre um episódio que se passou com ele, ainda adolescente, em uma caminhada na madrugada da Praia de Boa Viagem, ocasião em que praticava dança clássica contemporânea mas não tinha a arte, ainda, como uma definição de vida.

De fato, o ‘quê’ de espiritualidade neste último trabalho de João Fênix, é intenso.  Aguçado, também, em “Ando de Bando”, faixa que deverá conduzir o primeiro  videoclipe do intérprete. Aliás, de acordo com o próprio músico, o ‘conectar-se com o universo por meio do invisível’conduz, na verdade, toda a sua vida e reflete, naturalmente, em seu trabalhos. “Não faço nada se não for rezando. Estou sempre conectado com o invisível e isso é muito forte em minha vida”.



Entre as faixas de "Minha Boca não Tem Nome', há inéditas como a dos pernambucanos Juliano Holanda e Tibério Azul, com a música que dá nome ao álbum. Igor Carvalho e Fernando Temporão, também estão no disco, além de Pedro Luís e Moreno Veloso, entre outros compositores. Fênix também interpreta "Desterro", de Reginaldo Rossi e em parceria com Joana Duah, dá letra à faixa “Mar Profundo”.

Produzido por Jaime Alem e Guilherme Kastrup - este último à frente dos últimos trabalhos de Elza Soares, "A Mulher do Fim do Mundo" (2015) e "Deus é Mulher" (2018) - o disco tem a cara que João Fênix sempre quis dar às suas produções: um álbum confessional, que mostra suas inquietudes e verdades, seja com acidez, amenidades ou melodias libidinosas. “É essa a minha forma de fazer música, com verdades envolvidas e parte de mim intrínsecas nas letras”, conclui.


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