Jornalista pernambucano lança livro sobre sobre crítica de cinema na Bienal

Em 'Cinema brasileiro nos jornais: Uma análise da crítica cinematográfica na Retomada', Luiz Joaquim analisa textos publicados em jornais sobre três filmes nacionais

Luiz Joaquim escreveu para jornais pernambucano durante quase 20 anos Luiz Joaquim escreveu para jornais pernambucano durante quase 20 anos  - Foto: Osmário Marques/Divulgação

Logo no início de sua carreira como crítico cultural em jornais pernambucanos, na segunda metade dos anos 1990, o jornalista Luiz Joaquim viu o cinema nacional recuperar seu prestígio, após a crise provocada pelo fim da Embrafilme, órgão que financiava o setor. Ao mesmo tempo, pôde acompanhar de perto a forma como a crítica especializada se relacionava com esses novos filmes brasileiros. Suas observações sobre essa relação deram origem a uma pesquisa, iniciada em 2001, e chegam ao público com o livro "Cinema brasileiro nos jornais: Uma análise da crítica cinematográfica na Retomada" (Editora Massangana, 2018, 150 páginas).

Após lançamento no 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em setembro de 2018, e na 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em janeiro deste ano, a publicação será apresentada da 12ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, realizada no Centro de Convenções, em Olinda, nesta quarta-feira (9), às 19h. Na ocasião, o autor participa de um bate-papo com a jornalista Luciana Veras, no estande da Editora Massangana. Mesmo antes de virar livro, a pesquisa já despertava o interesse de pessoas que estudam cinema e comunicação, de acordo. "Há pouquíssimas publicações no Brasil sobre crítica cinematográfica. E essa, especificamente, lança um olhar sobre um período recente", comenta.

A ideia de fazer o estudo nasceu do incômodo sentido pelo jornalista e professor de cinema, que utilizou o tema em sua dissertação de mestrado. "Eu observava que as críticas de cinema feitas sobre filmes brasileiros eram muito ruins, no sentido de serem insipientes e muito distintas de como eram escritos os textos sobre produções estrangeiras", aponta Luiz, que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

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Partindo do material publicado em alguns dos mais relevantes jornais brasileiros, o pernambucano analisou as críticas produzidas sobre três filmes. Os longas escolhidos foram "Carlota Joaquina, princesa do Brasil" (1995), de Carla Camurati, "Central do Brasil" (1998), de Walter Salles, e "Cidade de Deus" (2002), de Fernando Meirelles. Unindo dados oficiais e vivência de mercado, Luiz consegue demonstrar como o jornalismo cultural foi refinando seu discurso à medida que seu objeto de análise evoluía.

Com base no recorte escolhido, o livro evidencia a predominância de uma perspectiva mercadológica nas análises produzidas pelos jornais. Na época da estreia de "Carlota Joaquina", o interesse do público pelo filme era o aspecto mais destacado nos textos. Com "Central do Brasil", que obteve duas indicações ao Oscar, o prestígio conquistado no exterior servia para referendar a obra. Só em "Cidade de Deus" é que as críticas ganham mais substância e passam a abordar também questões sociais relacionadas ao longa-metragem. "O que de mais concreto podemos verificar nesta pesquisa é que o cinema nacional precisa da crítica e a crítica precisa do cinema nacional", conclui o livro.

Serviço

Lançamento do livro "Cinema brasileiro nos jornais: Uma análise da crítica cinematográfica na Retomada", de Luiz Joaquim
Editora Massangana,150 páginas, R$ 20
Amanhã, às 19h
Na 12ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco (Centro de Convenções, Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho, Olinda)

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