José Patrício inaugura no Museu do Estado a exposição inédita "Precisão e acaso"

Mostra, que será aberta nesta quinta-feira (27), traça panorama da obra do artista, que não faz uma individual no Recife desde 2006

Criação de José Patrício com botõesCriação de José Patrício com botões - Foto: Divulgação

Artista plástico com mais de quatro décadas de trajetória, José Patrício costuma aliar em seu modo de produção características aparentemente opostas. Embora a execução das obras parta de um rigoroso método, o resultado final é sempre um ponto cego na mente do criador pernambucano.

É dessa interseção entre a exatidão e a imprevisibilidade que surge "Precisão e acaso", nome da exposição que ele inaugura nesta quinta-feira (27), às 19h, no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe).

Esta é a primeira vez, desde 2006, que José Patrício realiza uma mostra individual no Recife. Durante o hiato, o artista plástico recifense nascido em 1960 não parou de produzir.

"Não sei dizer as razões pelas quais fiquei tanto tempo sem expor na minha própria cidade. Pode ter sido a falta de uma galeria que me represente ou a grande demanda que eu recebo de fora daqui. Mas continuei realizando grandes exposições em outros lugares, inclusive fora do Brasil", conta o criador.

A mostra reúne cerca de 40 criações que, apesar de diversas, seguem certos padrões. "Percebo que há um fio condutor guiando minhas obras. Todas elas são realizadas a partir de um movimento espiral, que pode se expandir até o infinito ou para dentro de um vórtice central", explica.

"Trabalho com a repetição constante dessa mesma estrutura. Isso não significa, no entanto, que os resultados sejam iguais. Sinto como se estivesse há muito tempo batendo nas mesmas teclas, só que o som produzido é sempre diferente", comenta José Patrício.

"Precisão e acaso" ocupa três salões do Mepe com peças de diferentes períodos. São obras nunca apresentadas na capital pernambucana, algumas produzidas recentemente e outras do início da carreira do artista.

Uma característica presente em todas elas é o uso de materiais banais, como dominós, tachas, botões, fios de eletricidade e de telefone, dados e quebra-cabeças de plástico. "Há um lado de garimpo no que eu faço, mas também de acolher tudo o que a sociedade descarta tão facilmente", declara o artista.

Antologia

A exposição é classificada por seu curador - o carioca Felipe Scovino - como uma espécie de antologia. "Tentei fugir da perspectiva meramente temporal, fazendo escolhas que se baseiam mais na atmosfera que essas peças constroem.

As criações de José Patrício deixam o nosso olhar à deriva, uma vez que transmitem uma sensação ilusionista. De longe, enxergamos o todo, mas só chegando mais perto é que vamos descobrindo, aos poucos, cada detalhe", avalia.

"Temos nessa mostra um artista que pensa a arte para além de qualquer tipo de fronteira. Ao utilizar materiais baratos e fáceis de serem encontrados, ele construiu um trabalho inteligente, coerente e, ao mesmo tempo, fácil de ser compreendido pelo espectador", completa.

Serviço:

Exposição "Precisão e acaso", de José Patrício
Abertura nesta quinta-feira (27), às 19h. Visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, sábados e domingos, das 14h às 17h, até 24 de setembro
Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960, Graças)
Entrada gratuita
Informações: (81) 3184-3174

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