Justiça determina retirada do ar de especial de Natal do Porta dos Fundos para 'acalmar ânimos'

Na madrugada do dia 24 de dezembro, dois coquetéis molotov foram atirados contra a fachada do edifício onde funciona o Porta dos Fundos, na zona sul do Rio de Janeiro

'Especial de Natal Porta dos Fundos: a Primeira Tentação de Cristo' causou polêmica'Especial de Natal Porta dos Fundos: a Primeira Tentação de Cristo' causou polêmica - Foto: Reprodução/Instagram

A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta quarta-feira (8) a retirada do ar do episódio de Natal do Porta dos Fundos veiculado pela Netflix. Em liminar, o desembargador Benedicto Abicair afirma que decidiu recorrer à cautela para "acalmar ânimos".

O especial retrata um Jesus gay (Gregorio Duvivier), que se relaciona com o jovem Orlando (Fábio Porchat), e um Deus mentiroso (Antonio Tabet) que vive um triângulo amoroso com Maria e José. Há ao menos sete ações na Justiça contra a Netflix, ajuizadas por lideranças de igrejas ofendidas com a paródia.

A reação ao episódio também ocorreu fora da seara jurídica. Na madrugada do dia 24 de dezembro, dois coquetéis molotov foram atirados contra a fachada do edifício onde funciona o Porta dos Fundos, na zona sul do Rio de Janeiro. Um dos suspeitos do crime se encontra na Rússia.

Leia também:
PF pede que Interpol ajude a deter suspeito de atacar Porta dos Fundos
Autor do atentado contra o Porta dos Fundos é expulso do PSL
Youtubers que invadiram Cotel para gravar pegadinha são condenados pela Justiça


O pedido de suspensão do especial, movido pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, havia sido negado em primeira instância e pelo desembargador de plantão. O recurso foi distribuído ao relator, Abicair, que teve entendimento diferente.

"As consequências da divulgação e exibição da 'produção artística' (...) são mais passíveis de provocar danos mais graves e irreparáveis do que sua suspenção (sic), até porque o Natal de 2019 já foi comemorado por todos", escreveu o desembargador.

Para ele, a suspensão é mais adequada e benéfica, "não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, majoritariamente cristã". Na decisão, o desembargador também afirma que o Porta dos Fundos defendeu sua produção com agressividade e deboche.

Ele cita brevemente o ataque contra a produtora, e completa: "Veja-se que reações dessa natureza sempre podem motivar consequências irreversíveis e desdobramentos inimagináveis, o que, aparentemente, não ocorreu".

O desembargador se refere à associação que moveu o pedido como uma instituição que busca defender direitos da comunidade cristã, "a mais expressiva no Brasil".
Já sobre o Porta dos Fundos e a Netflix, escreveu: "Do outro lado têm-se empresas, com fins lucrativos, uma que se apossou de uma obra de domínio público, milenar, que congrega milhões de fiéis seguidores".

O Centro Dom Bosco, autor da ação que acabou acatada pelo Ministério Público, é conhecido como polo do conservadorismo católico no Brasil. A entidade reúne leigos (pessoas que não integram o clero) e tem como um de seus propósitos formar "soldados de Cristo por meio da via espiritual e intelectual para atuar na cultura, defendendo a fé verdadeira".

Fábio Porchat, que interpreta o interesse romântico do Jesus de Gregório Duvivier na produção, disse que por ora o grupo não vai se pronunciar.

Veja também

Amor de Mãe: Jéssica Ellen chora ao falar sobre personagem em entrevista com Bial
Televisão

Amor de Mãe: Jéssica Ellen chora ao falar sobre personagem em entrevista com Bial

Cantora Ivete Sangalo manda filho dormir no meio de live surpresa
Música

Cantora Ivete Sangalo manda filho dormir no meio de live surpresa