Kendrick Lamar causa furor com seu novo disco

Em novo álbum , principal rapper da atualidade se supera e mostra que o gênero ainda pode ser inovador e relevante

O principal rapper da atualidade, Kendrick LamarO principal rapper da atualidade, Kendrick Lamar - Foto: Valerie Macon / AFP

Pode parecer apenas mais um disco de rap. Não é. Com o lançamento de “DAMN.”, e o show de encerramento no festival Coachella, o rapper americano Kendrick Lamar produz algumas constatações.

Na era do single, um álbum volta a ser aguardado, comentado e recebido como obra completa. Título, arte da capa, ordem das músicas, participações. Tudo foi exaustivamente discutido por fãs e indústria por semanas (talvez meses) antes da estreia.

Em 2017, um artista ainda pode estar no centro das atenções por causa de sua música. E só. A ansiedade que cercou o lançamento de “DAMN.” é sintoma da típica síndrome do passo seguinte. Lamar precisava mostrar que há mais da substância e consistência de onde haviam saído os trabalhos anteriores.

E, maldição, ele conseguiu. Para ouvidos menos acostumados ao ritmo e poesia (rap, ou rhythm and poetry), parece difícil perceber a evolução. Mas há maneiras objetivas de fazê-lo: os “rhyme schemes” (esquemas rímicos, como na poesia) surgem com maior complexidade, em versos mais longos, com rimas multissilábicas.

A variação de “flow” (jeito de rimar) é maior, o controle do fôlego e as acrobacias que faz com a voz são ainda mais presentes. Lamar também subverte a sonoridade que construiu até então - baseada em free jazz, soul, funk e spoken word.

Em “DAMN.”, abraça o trap, dissidência que leva o hip hop para um ambiente eletrônico, mas se mantém fiel ao soul dos anos 1970 e à blaxploitation.
Na comparação, esse é um disco mais “fácil” de ouvir, mais pop e r&b, menos abrasivo que os anteriores. As participações sublinham isso.

A essa altura, Lamar poderia ter reunido o PIB do hip hop -Jay Z, Kanye West, Drake. Em vez disso, trouxe só três convidados: Zacari, um desconhecido cantor e multi-instrumentista, Rihanna, rimando de igual para igual e não só como “cantora de refrão” (como costuma acontecer quando mulheres são convidadas para participações), e...o U2.

É preciso algum esforço para reconhecer Bono em “XXX0”. Está lá, mas de um jeito tão “cool” que passa batido. Fazer Bono Vox soar bem, essa talvez tenha sido a contribuição mais inestimável de Kendrick Lamar à música.

Serviço>
“DAMN.”, de Kendrick Lamar
Gravadora: Aftermath/Interscope
Preço médio: Apple Store (R$ 25) e
Spotify e Deezer(streaming)
 

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