'Lady Bird' aborda a sutileza das transições

Filme, com cinco indicações ao Oscar, mostra como as vivências podem ser uma coletânea de bons momentos

Cenas entre mãe (Metcalf) e filha (Ronan) estão entre as mais sensíveis da obraCenas entre mãe (Metcalf) e filha (Ronan) estão entre as mais sensíveis da obra - Foto: Universal Pictures/Divulgação

"Lady Bird" é um delicado drama de transição: repassa as abruptas transformações emocionais que acompanham o processo de mudar da escola para a faculdade, experimentar pela primeira vez amor e sexo, viver as pequenas crises do cotidiano relacionadas à família e aos amigos. É esse panorama de sentimentos que a diretora e roteirista Greta Gerwig trabalha em seu filme, que terá sessões de pré-estreia a partir de quinta-feira (8) e entra em cartaz, após o Carnaval, no dia 15.

O longa, nomeado em cinco categorias do Oscar (incluindo filme, direção e roteiro) e vencedor de dois prêmios no Globo de Ouro (atriz e roteiro), se passa em 2002 e conta a história da personagem Lady Bird (Saoirse Ronan). Ela é adolescente em Sacramento e tudo que deseja é sair do colégio e ir para uma faculdade em Nova Iorque, perto dos boêmios, artistas e escritores, longe da família. A primeira cena mostra através de uma curiosa união de drama e humor a intensa relação de amor e ódio da jovem com a mãe, Marion (Laurie Metcalf).



É fascinante a forma aparentemente casual como a história se desenvolve. Parece um roteiro feito a partir de lembranças e afetos, sequências que embora construam uma narrativa no sentido tradicional do conceito parecem também se abrir para um entendimento um pouco mais amplo e sutil sobre formação sentimental. As cenas se conectam através de uma ideia de emoção e êxtase e o resultado é uma coletânea de belos momentos marcantes. Gerwig acerta na maneira impactante como filma rostos e instantes carregados de emoção.

Para dar vida a essas questões delicadas do roteiro, o filme conta com um elenco excelente. Destaque não apenas para a mãe e a filha, que protagonizam os momentos mais sensíveis, mas também Larry (Tracy Letts), pai da protagonista, e Julie (Beanie Feldstein) e Danny (Lucas Hedges), amigos de Lady. São personagens que aparecem em poucas cenas, mas contribuem de forma fundamental para o tema central do filme: a maneira como as experiências e as relações da adolescência moldam a identidade nos anos seguintes.

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Com "Lady Bird", Greta Gerwig (que se destacou como atriz do filme "Frances Ha", de 2012) consegue algo difícil: relata uma experiência impactante sobre o rápido processo de mudança na adolescência, humanizando os conflitos desse período através de situações que cativam pelo que apresentam de emocionantes e reconhecíveis. É bom ver esse filme, que tem clara inclinação independente e autoral, circulando tão bem no mercado nesta temporada de prêmios do Globo de Ouro e do Oscar, que ocorre no dia 4 de março.

Cotação: ótimo

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