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Lição de vida na telona

“Beleza Oculta”, do diretor David Frankel, motiva o espectador a questionar o seu próprio rumo

Entre as cartas enviadas por Howard (Will Smith), algumas são para a Morte (Helen Mirren)Entre as cartas enviadas por Howard (Will Smith), algumas são para a Morte (Helen Mirren) - Foto: Warner Bros./Divulgação

“Beleza Oculta” chega às salas de cinemas nesta quinta-feira (26), com o claro objetivo de tocar os corações dos espectadores. O filme, dirigido por David Frankel - de “O Diabo Veste Prada” e “Marley e Eu” -, traz a história de Howard, vivido pelo ator Will Smith, que é um renomado executivo, dono de uma agência de publicidade situada em Nova Iorque. Após perder a única filha, uma criança de seis anos, vítima de um câncer raro, ele decide viver isolado, numa tentativa de entender e até superar a tragédia.

Nesse exílio, Howard escreve cartas destinadas para a Morte (Helen Mirren), o Tempo (Jacob Latimore) e o Amor (Keira Knightley). Apesar de não demonstrar loucura, mas sim uma maneira que encontrou de expressar sua dor, a atitude do publicitário chama a atenção dos seus amigos e sócios (personagens interpretados por Edward Norton, Kate Winslet e Michael Peña), que ficam preocupados com o destino da empresa. Enquanto tentam ajudar Howard - que alheio ao trabalho perde parcerias nos negócios - seus amigos criam um plano de salvação questionável, que também os atinge ao colocá-los diante de suas próprias realidades que, por sua vez, procuravam fugir. E se dão conta de que não era só a vida de Howard parecia ter estagnado; a deles era a própria inércia, por diferentes problemas ou medo que insistiam em protelar.

O que Howard não esperava, no entanto, é que fosse receber o retorno de tais abstrações que, no filme, aparecem personificadas, sempre com uma mensagem de apoio para o publicitário. Nesse meio tempo, ele começa a frequentar um grupo de ajuda, conduzido pela terapeuta Madeleine (Naomie Harris), que desempenha um papel importante na trama.

Embora tenha sido considerado um dramalhão por alguns críticos americanos, o filme é comovente, mas não ao ponto de deixar os espectadores emocionados. A morte é um assunto tocante, que interfere nos sentimentos dos espectadores, mesmo os mais céticos. A perda de um filho, então, que foge à ordem cronológica da vida, parece ser algo profundamente devastador.

No entanto, o mote não é capaz de passar toda a dramaticidade desejada pelo diretor. Talvez por um erro de percurso no roteiro, que tenta despertar no espectador o desejo de solidariedade à dor da personagem central. Mas não há nada mais tedioso do que ver as cenas com Will Smith andando de bicicleta, para lá e para cá, sem rumo, com a mesma expressão apática repetidamente. Além disso, o espectador fica à espera de uma explicação lógica para as coincidências que acontecem durante a história.

Apesar das falhas, o filme consegue seu êxito ao nos lembrar de algo que já sabemos e que, por vezes, esquecemos ou duvidamos: sempre existe, na vida, uma chance de recomeçar. Mas, para isso, é preciso vontade para agir.

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