Lilia Cabral leva peça teatral 'Maria do Caritó' para o cinema

Baseado na peça homônima, o filme conta a história de Maria, uma mulher prometida a um santo, mas que sonha deixar a vida de solteira e encontrar um grande amor

Lilia Cabral esteve em Pernambuco para acompanhar a pré-estreia do filme "Maria do Caritó"Lilia Cabral esteve em Pernambuco para acompanhar a pré-estreia do filme "Maria do Caritó" - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Criada pelo pernambucano Newton Moreno, a peça "Maria do Caritó" foi escrita especialmente para marcar a volta de Lilia Cabral aos palcos, em 2010. Foram cinco anos de apresentações e vários prêmios conquistados até chegar às telas dos cinemas. Com direção de João Paulo Jabur, o longa-metragem estreia oficialmente no dia 31 de outubro. A atriz, que esteve presente em uma sessão de pré-estreia, em Olinda, na última segunda-feira, conversou com a Folha de Pernambuco sobre a adaptação da obra.

"Quando as pessoas propunham (transformar o espetáculo em filme), eu não achava que era o momento certo ainda. Só depois que começamos a viajar com a peça foi que eu senti de fato que poderia ter esse voo. Passando por várias cidades, pude perceber que a história tem uma brasilidade que é incorporada em qualquer lugar", relata Lilia.

O próprio título já é um indício de que o longa está impregnado de tradições nordestinas. Em outros tempos, a expressão "ficar no caritó" era bastante utilizada por aqui para as mulheres que envelhecem sem casar. Maria, personagem de Lilia, é a materialização desse termo. Solteira e virgem aos 50 anos, ela é prometida pelo pai ao Santo Djalminha logo após o nascimento. Toda a cidade acredita no seu poder de realizar milagres, mas tudo o que ela deseja é encontrar um grande amor.

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Autor de peças como "Agreste", "As cangaceiras" e "Ópera", Newton Moreno estreia seu primeiro roteiro para o cinema - dividido com José Carvalho - nesta produção. Além de homenagear o circo e os artistas, a história tangencia temas como religião, política e o lugar da mulher na sociedade, sempre pelo viés do humor. "A Maria do Caritó, para mim, representa a fé genuína e verdadeira do povo brasileiro, que infelizmente é mercantilizada e pode ser usada para outros fins. O pai, a igreja, o coronel: todos têm interesse em torno dessa potência de fé que é a Caritó", afirma.

  

Ao transpor a obra para o universo cinematográfico, ela ganhou contornos novos, de acordo com o diretor. "A peça, certamente, era uma comédia mais forte. No filme, buscamos sublinhar as situações que levavam para um lado mais lírico. É uma obra leve, que diverte e ao mesmo tempo tem o poder de emocionar", revela. A essência dos personagens e da trama foi mantida, mas o desfecho passou por uma modificação na telona.

"Se tudo o que a gente fala no teatro é sagrado, no cinema é mais ainda, porque as pessoas saem da sessão levando aquilo para casa. Por causa do momento em que estamos vivendo, achamos que seria bom alterar o final", conta Lilia, mas sem entregar o destino da protagonista.

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