Livro conta a história de 60 mulheres que mudaram o mundo

'Lute como uma garota', da editora Cultrix, traz perfis de 60 feministas, incluindo 15 personagens brasileiras

A filósofa Angela Davis se destacou nos anos 1970 como liderança do movimento dos Panteras NegrasA filósofa Angela Davis se destacou nos anos 1970 como liderança do movimento dos Panteras Negras - Foto: Divulgação

“A forma mais comum de abdicar do poder é pensar que você não tem poder”. A fala da escritora norte-americana negra Alice Walker é uma das várias chacoalhadas presentes no livro "Lute como uma garota - 60 feministas que mudaram o mundo".

Escrita pela também norte-americana Laura Barcella, a obra recebeu um acréscimo de 15 personagens brasileiras, totalizando 60 perfis de mulheres extraordinárias. Nem todas podem ser consideradas feministas, na essência da palavra; mas certamente se destacaram em diversas áreas de atuação (artes, ciências, política, jornalismo, educação, literatura) e seus exemplos podem servir de inspiração não só para outras mulheres, mas para quem quer que possua uma visão mais humanista.

A autora da versão original, Laura Barcella, usou como critério para selecionar as mulheres retratadas o impacto que estas causaram sobre sua própria vida. São nomes como Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, Malala Yousafzai e até mesmo Madonna. Na ampliação brasileira, a co-autora Fernanda Lopes destacou mulheres como Clarice Lispector, Chiquinha Gonzaga e Maria da Penha.

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O livro tem um formato interessante: cada biografia tem cerca de duas páginas, com subtítulos como "Porque ela merece a fama (de feminista)"; "País de origem"; "Seu legado"; "Sua história"; "Suas grandes realizações" e "Frases famosas". Dá para ter uma visão geral, rápida e abrangente de cada uma das personagens abordadas, deixando o leitor livre para aprofundar sua curiosidade sobre elas em leituras posteriores.

"Para mim, participar de um livro como esse sempre foi um sonho. Acho muito importante que a gente saiba mais sobre as pessoas que fizeram nossa história, que nos permitiram chegar até aqui, através de muita luta por direitos e representatividade. É algo fundamental para que a gente não banalize o que temos hoje. Ainda falta muito para chegarmos a ser uma sociedade igualitária e justa, mas, ao conhecer as histórias dessas mulheres, temos a sensação de que muito já foi feito quando os obstáculos eram ainda maiores, e assim sabemos que é possível avançar", disse Fernanda à reportagem da Folha de Pernambuco.

Ela fez uma seleção prévia de 50 nomes femininos que se destacaram, por seus feitos, na história do Brasil. "A partir desse conteúdo, a editora Cultrix selecionou algumas, incluiu outras mais pertinentes à causa do feminismo, e então chegamos a esses 15 nomes", detalhou. Fernanda confessou amar a história de todas elas, mas tem seus xodós. "Aquelas que eu gostaria de convidar para um jantar aqui em casa, se pudesse, sabe?", riu. Ela citou Leila Diniz, Rose Marie Muraro e Maria da Penha, que segundo ela "tem uma história muito forte e necessária de ser compartilhada".

   Diversas vozes

O livro foi lançado oficialmente em março, no Dia Internacional da Mulher. "Acredito que ele nos ajuda a ter esperança e a não aceitar as injustiças como são", pontuou. Fernanda disse ainda que é extremamente importante que as mulheres possam contar suas próprias histórias. "Esse é um lugar que não costuma ser dado gratuitamente pra nós. O desafio está em mostrar que somos muitas e podemos fazer o que quisermos. Não há mais espaço para padrões, mas sim para que diversas vozes reverberem".

A escritora finalizou alertando para o fato de que o Brasil vive um momento político "complicado" e "desesperador". "Quando vejo direitos e conquistas por respeito e igualdade sendo ignorados, mulheres sendo agredidas, e até mortas, como no caso da Marielle, apenas pelo fato de estarem se impondo e falando o que pensam, lembro sempre daquela frase da Simone de Beauvoir, que diz: 'Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida'".

Serviço:

"Lute como uma garota - 60 feministas que mudaram o mundo", de Laura Barcella e Fernanda Lopes
Preço médio: R$ 40 (Editora Cultrix, 368 págs.)

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