Livro detalha os bastidores da banda Legião Urbana

Publicação assinada por Chris Fuscaldo e lançada pela editora Leya amplia textos produzidos em 2008, a pedido da EMI Music

“Renato nunca deixava de ser alguém tranquilo, generoso e acessível como artista e pessoa”, diz Chris Fuscaldo“Renato nunca deixava de ser alguém tranquilo, generoso e acessível como artista e pessoa”, diz Chris Fuscaldo - Foto: Tatynne Lauria/Divulgação

 

Um lado pouco explorado nas publicações sobre a banda Legião Urbana se torna fio condutor do livro “Discobiografia legionária”, da jornalista e pesquisadora cultural fluminense Chris Fuscaldo. Ela conta bastidores das gravações de todos os álbuns do grupo, com o olhar de quem foi além da figura central do ídolo Renato Russo para incluir situações com produtores, músicos e técnicos que trabalharam em cada produção com os meninos de Brasília. O material, editado pela Leya, acaba de ser lançado.
O trabalho é desdobramento dos textos produzidos ainda em 2008, a pedido da EMI Music, para acompanhar o relançamento dos vinis de carreira da Legião. “Em 2010 os fãs começaram a cobrar o que eu havia preparado naquele momento, algo muito justo com aqueles que não tiveram acesso ao conteúdo, mas o mercado não estava tão aberto assim para obras biográficas. Foi quando em 2015, passada, inclusive, a necessidade de se ter a autorização de todos os entrevistados para veiculação, consegui uma editora que topou a publicação, e, enfim, pude retomar a ideia”, lembra Fuscaldo, que tocou o projeto incluindo não apenas os oito álbuns de estúdio, mas todos os discos póstumos, incluindo os de carreira solo, como o de músicas italianas “Equilíbrio Russo” (1995).
“Tive surpresas o tempo inteiro, até mesmo nas histórias contadas por diretores artísticos e produtores”, comenta a jornalista. Nas situações, algumas já conhecidas pelos fãs, há o detalhamento com relação a posturas e opiniões do próprio Renato durante a preparação de álbuns como o Acústico MTV, gravado em São Paulo no ano de 1992, mas lançado como CD e DVD apenas sete anos depois, em 1999. Foi quando o trio formado por Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá conseguiu emplacar nas paradas a música “Hoje à Noite Não Tem Luar”, uma versão da “Hoy Me Voy Para México”, dos Menudos. Um show importante para a banda, mas marcado pela incerteza de o vocalista não aparecer e a programação ir por água abaixo, entre outros pormenores contados pelo diretor Rogério Gallo.
“Havia momentos com essa insegurança. Mas Renato nunca deixava de ser alguém tranquilo, generoso e acessível como artista e pessoa. Assim que terminei o livro, fiquei arrasada por não ter conhecido ele”, acrescenta. Mesmo não sendo uma publicação tipicamente biográfica, há passagens em que essas características se fazem presentes, como a história em que o fundador da Legião Urbana foi convidado para participar de um programa na extinta TV Manchete onde, no mesmo dia, haveria gravação com Dorival Caymmi, um ídolo de Renato. Tanto que ele conseguiu voltar para casa e separar os LPs de Caymmi para serem todos autografados. Isso, sem falar nos sentimentos que envolviam a letra de suas músicas. “Entre o lançamento de ‘As quatro estações’ (1989) e álbum ‘V’ (1991) houve o confisco da poupança pelo governo Collor, e o Renato perdeu muito dinheiro. Foi um período em que as letras retratavam seus questionamentos dessa época”, completa a escritora.
Foi por tantas motivações sociais e sentimentais que, em cada disco, a banda se mostrava com uma mensagem direta, seja falando de política, amor, ódio ou qualquer outro engasgo humano. Tanto que a obra da banda permanece atemporal, bem como o novo livro sobre o grupo com a missão de atender a expectativa dos fãs de todas as gerações e dos que ainda estão por existir, a partir de novas leituras.

 

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