Livro mostra outras perspectivas da Revolução Pernambucana

"Memorial do dia seguinte" resgata memórias que foram ignoradas pela historiografia oficial

Pesquisa do livro é de Hildo Leal da Rosa e Débora Cavalcantes de MouraPesquisa do livro é de Hildo Leal da Rosa e Débora Cavalcantes de Moura - Foto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

A memória da Revolução Pernambucana vem sendo sentida desde o ano passado, com seu bicentenário. A luta e a perseverança dos revolucionários têm sido discutidas ao longo de palestras, livros, debates, enfim, da maior gama de eventos possíveis para continuar relembrando o movimento emancipacionista que eclodiu em 6 de março de 1817.

A questão que ficou aberta é o depois. Depois do ápice e do término, como viveram os súditos no reinado de Dom João VI? Como o governo absolutista se manteve? Houve consequências? A resposta vem em “Memorial do dia seguinte, a Revolução de 1817 em documentos da época”, livro organizado pelo jornalista Evaldo Costa e os pesquisadores Hildo Leal da Rosa e Débora Cavalcantes de Moura, publicado em uma parceria entre o Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano e a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). O lançamento da obra ocorre nesta quinta-feira (1º), às 19h, no próprio Arquivo Público.

À época da iniciação do livro, Evaldo, que era o diretor do Arquivo Público, abraçou a possibilidade de vasculhar os documentos históricos disponíveis. "Lá havia um conjunto de documentos negligenciados, já que os documentos principais foram recolhidos e estão na Biblioteca Nacional. Nossos documentos, aqui em Pernambuco, referenciam a pessoas humildes, viúvas, oficiais de baixa patente, que reivindicam alguma coisa do governo no período imediatamente posterior à Revolução", conta Evaldo.

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Assim, o livro "Memorial do dia seguinte" acompanha histórias como a de um oficial que, de tão próximo aos rebeldes, pede autorização ao governador para casar com a filha de um rebelado; ou a de uma viúva que reivindica pensão após o marido ser morto enfrentando os rebeldes. “É o momento seguinte ao sufocamento da Revolução, quando a vida da colônia volta ao que ela era antes e a sobrevivência é uma concessão. As pessoas não reivindicam direitos, as pessoas apelam para a benevolência de Vossa Majestade em um tempo no qual o Brasil ainda vivia sob uma monarquia absolutista portuguesa”, explica o jornalista.

Documentos fazem parte do acervo do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano

Documentos fazem parte do acervo do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano - Crédito: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

“A Revolução de 1817 vem sendo negligenciada e obscurecida, primeiro pelo colonialismo português e depois pela historiografia oficial. É preciso chamar atenção para essa história, levar o conhecimento para os jovens”, argumenta Evaldo. Para isso, o jornalista organizou o livro de forma a ter sempre uma explicação dos documentos, uma introdução que o coloca no contexto da época. “Cabe a Pernambuco apresentar isso ao Brasil, mostrar que nem sempre o País foi acomodado - porque nossa história é a história de ajustes pelo alto. Nós nunca fazemos mudança, nós fazemos arrumados para que as coisas pareçam mudar, mas continuem como sempre foram", critica.

Exposição
Além do livro, as memórias da Revolução podem ser conferidas também em uma exposição que ficará em cartaz até o final de abril no próprio Arquivo Público (Rua Imperador Pedro II, 371), em Santo Antônio. Os documentos ficam disponíveis para visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, gratuitamente. Uma fração do trabalho de um ano que, ao todo, reuniu 283 documentos, a maioria pós-Revolução, e é condensado ao longo de “Memorial do dia seguinte”, que traz 106 desses documentos.

Serviço:
Lançamento de "Memorial do dia seguinte"
No dia 1º de março, às 19h
No Arquivo Público (Rua Imperador, 371, Santo Antônio)
Preço: R$ 40 (livro físico) e R$ 12 (e-book)

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