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Livro que exalta mulheres cineastas brasileiras ganha lançamento no Recife

'Mulheres Atrás das Câmeras - As Cineastas Brasileiras de 1930 a 2018' é lançado nesta segunda (2), na Livraria Jaqueira (Bairro do Recife)

Além do lançamento, uma roda de conversa abordará a temática das mulheres por trás das câmerasAlém do lançamento, uma roda de conversa abordará a temática das mulheres por trás das câmeras - Foto: Divulgação

Embora substantivo de dois gêneros, a palavra ‘cineasta’ é lida/vista predominantemente no masculino, e não poderia ser diferente, já que a-i-n-d-a se tem impregnado um machismo secular que insiste em permanecer ativo no universo cultural e, mais especificamente, no cinema e em todo o seu percurso produtivo, naturalizado pela predominância de realizadores, criadores e diretores por trás das câmeras.

Fato, no entanto, que tem sido alterado por cineastas (no feminino) que não hesitam em sobrepor realidades, com inquietações que culminam, por exemplo, na compilação da história do cinema brasileiro feito por mulheres no livro "Mulheres Atrás das Câmeras - As Cineastas Brasileiras de 1930 a 2018", organizado por Luiza Lusvarghi e Camila Vieira da Silva em parceria com a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

"Não tinha noção de que tínhamos tanta variedade de cineastas mulheres quando me deparei com o material de pesquisa para o livro, que nasceu há três anos, quando Camila e eu começamos a discutir o assunto. Nós nos esforçamos para lançar neste momento, necessário para falas e registros de passos", ressaltou Luíza que, somadas a um outro tanto de mulheres, "diagnosticou" no livro o cinema produzido pelo "gênero" ELAS.

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O livro - que ganha lançamento e roda de conversa hoje no Recife, mais especificamente na Livraria Jaqueira (Cais da Alfânega), às 18h, com a participação de Luíza Lusvarghi, Iomana Rocha (UFPE), Luciana Veras (jornalista), Dea Ferraz e Renata Pinheiro (diretoras) e de representantes do Movimento Mulheres no Audiovisual PE (Mape) - se propõe a dar conhecimento em ensaios e verbetes, do pioneirismo de nomes como os de Cléo de Verberena, primeira mulher brasileira a dirigir um filme; Carmen Santos, produtora, atriz e criadora de estúdios e Gilda Abreu, à frente de "O Ébrio" (1946), passando por Tereza Frautner (Os Homens que Eu Tive, 1973) e chegando até as contemporâneas Anna Muylaert e Suzana Amaral.

"Temos cineastas evangélicas, outras que regionalizam as produções e as que eu não conhecia e passei a saber no decorrer da produção, já outras como a Lúcia Murat e a Tizuka Yamasaki, pouco se sabe do tamanho da produção dessas mulheres no cinema, eu particularmente não havia feito as contas", complementa Luíza em conversa com a Folha de Pernambuco, citando as surpresas no decorrer do caminho.

Além do Recife, "Mulheres Atrás das Câmeras - As Cineastas Brasileiras de 1930 a 2018", ganha lançamento em outras cidades do País com o intuito de reverberar ao máximo o trabalho das cineastas e, com isso, tirá-las da posição de "invisíveis" e censuradas, tal qual foi Tereza Frautner dentro das mazelas da Ditadura Militar, mesmo na efervescência da época dos movimentos feministas, sociais e culturais.

"Espero que o lançamento renda bastante, no sentido de ter as meninas na roda de conversa para desenvolver questões importantes, que precisam ser trazidas. O coletivo desse livro foi muito bacana, e dentro de um conjunto de circunstâncias - estamos ameaçados e esse trabalho e essas memórias são sobrevivências - ainda temos instituições que existem (e resistem)", conclui Luíza se referindo ao apoio da Abraccine, cuja presidência é dirigida por uma mulher, Ivonete Pinto, colaboradora do livro na edição dos verbetes.










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