A-A+

Fotografia

Livro retrata realidade das imagens de Lula Cardoso Ayres

Publicação "Lula Cardoso Ayres - Fotografias" será lançada nesta quarta-feira (19), na Caixa Cultural, se dedica a esta linguagem na obra do multiartista pernambucano

Dona SantaDona Santa - Foto: Lula Cardoso Ayres

 

O lado fotógrafo do multiartista pernambucano Lula Cardoso Ayres será mostrado maciçamente em 190 fotos em preto e branco, produzidas entre os anos 1940 e 1960, e reunidas no livro "Lula Cardoso Ayres - Fotografias", que será lançado hoje, às 18h, na Caixa Cultural, no Bairro do Recife.  Haverá ainda o debate "Lula Cardoso Ayres e os desafios do artista moderno", com os pintores José Cláudio e Wilton de Souza e mediação da historiadora de cultura e arte Joana D'Arc Lima.

A fotografia nunca tomou o lugar da pintura como se imaginou a princípio, lá pelo século 19, quando inventaram a câmera. Ao contrário, os cliques viraram suporte para estudos de luz e sombra por parte de artistas visuais. Um dos que fez uso da máquina para aplicar na tela o que captou no ambiente foi Cardoso Ayres. Ele sabe como poucos que fotografar, tanto quanto pintar, jamais é o retrato da realidade de fato, mas uma interpretação individual e poética dela.

Daí a importância de mostrar esse lado fotógrafo do artista. Editada pela Companhia Editora de Pernambuco e organizado pela historiadora e coordenadora do Centro de Documentação de Estudos da História do Brasil, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Betty Lacerda, a publicação revela as temáticas sobre as quais mais se debruçou o artista, falecido em 1987: o campo e o seu trabalhador; as antigas casas do camponês, as paisagens da Zona da Mata e do Litoral, com as jangadas de madeira e os pescadores de calça arregaçada; a cultura popular (maracatu e caboclinho) que se desenvolvia em volta, junto com seus protagonistas.
 
Caso de Dona Santa, rainha do Maracatu Elefante, cuja figura emblemática ficou conhecida graças a um retrato tirado por Lula Cardoso Ayres. "Posso dizer que ele é tão bom fotógrafo quanto pintor", avalia a historiadora.

Além das imagens, há textos preciosos e elogiosos da obra fotográfica de Ayres, assinados pela organizadora, pelo filho de Lula, pelo fotógrafo Fred Jordão, e pelo arquiteto Luiz Amorim.

Ao lado do grande amigo, mentor e fotógrafo Alcir Lacerda, Lula clicou a história do Recife - dos portões de ferro com desenhos rebuscados, dos casarões e bairros inteiros demolidos que deram lugar a outra capital. Mas graças à dupla, ao menos temos acesso a esse momento em forma de imagens.

O sociólogo Gilberto Freyre, inclusive, denomina Cardoso Ayres como um documentarista fotográfico: "(...) No Recife surpreenderiam - repita-se - os últimos tipos - rainhas e figuras menores de maracatus, de caboclinhos e de bumba meu boi - dos carnavais ortodoxamente populares e genuinamente folclóricos da capital de Pernambuco".
Betty, filha de Alcir, lembra do pai e do amigo conversando na casa do artista em Boa Viagem, falando do quanto era importante sentar e ter paciência para esperar a melhor luz para fotografar casarios, fachadas e ruínas.

Foi ela quem idealizou a obra e fez uma curadoria a partir de 130 negativos de Lula existentes na Fundaj, e outros mais pertencentes ao único descendente direto vivo. Lula Cardoso Ayres Filho é dono de 600 fotografias, em papel e negativos.

"Os dois acervos se complementam. Algumas dessas fotos já podiam ser vistas pelo público no Museu do Homem do Nordeste, antigo Museu do Açúcar. Mas faltava uma publicação unicamente dedicada a Lula", explica Betty, que trabalhou no livro desde o final de 2015.
SERVIÇO
Lançamento do livro "Lula Cardoso Ayres - Fotografias"
Quando: Hoje, às 18h
Onde: Caixa Cultural (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Preço do livro: R$ 100
Informações: (81) 3425-1900

 

Veja também

Dayane Mello dá sua versão sobre o ocorrido com Nego do Borel em 'A Fazenda'
Televisão

Dayane Mello dá sua versão sobre o ocorrido com Nego do Borel em 'A Fazenda'

Demonização de Cosme e Damião por evangélicos dá corda para intolerância religiosa
Religião

Demonização de Cosme e Damião por evangélicos dá corda para intolerância religiosa