Livro revive a ebulição da Arte no anos 90

Obra traz o registro histórico de artistas, performances, montagem e obras desse período

Autora Jane Pinheiro publica obra na Zanzar Edições, de Maria Alice AmorimAutora Jane Pinheiro publica obra na Zanzar Edições, de Maria Alice Amorim - Foto: Gabriel Garcia/Divulgação

Nos anos 1990, pipocavam no Recife grupos de artistas contemporâneos como Camelo, Carga e Descarga, Oficina Guaianases de Gravura , Molusco Lama, Companhia de Artes Rodadas... A professora de fotografia e artes visuais do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Jane Pinheiro, acompanhou de perto aquela ebulição cultural frequentando exposições e oficinas. Foram tantas mostras que ela acabou fazendo amizade com os artistas, saindo pra tomar cerveja com eles após as vernissagens. Essas eram suas pesquisas de campo.

E assim os grupos Camelo, Carga e Descarga e a artista Betânia Corrêa de Araújo se tornaram objeto de estudo de seu mestrado em Antropologia pela UFPE, apresentado em 1999. A pesquisa venceu o 45º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, em 2003. E só agora virou o livro “Arte Contemporânea no Recife dos anos 1990” (Zanzar Edições), um importante documento histórico sobre esse período. “Acompanhei a conquista de espaço nacional dos artistas integrantes desses grupos. Há muitos depoimentos de artistas daquele período”, conta a autora. O lançamento acontece este sábado (28), às 16h, no Museu da Cidade do Recife. A publicação bilíngue é rica em fotografias da própria autora.

Arte e antropologia se uniram quando Jane percebeu, em exposições, o quanto havia de registro etnográfico naqueles trabalhos artísticos. “Sigo uma linha teórica que defende a volta da sensibilidade para a ciência, com adição de metáforas e interferência do sujeito. Por isso encontrei no antropólogo francês Edgar Morin um conforto teórico para desenvolver isso com a teoria da complexidade”, explica. Morin defende que o conhecimento complexo não pode estar apenas na ciência, pois nas artes em geral há também um profundo conhecimento. Tanto é assim que a autora, ao fazer registros fotográficos, não separa o que é artístico do que é científico. “Acredito que essa discussão é ainda atual na antropologia. A imagem é documental, porém o texto-legenda acaba resolvendo a imagem e gerando sua despotencialização”, explica Jane, que, óbvio, não legendou as fotografias do livro.

Atualmente, na sala de aula, Jane ainda percebe uma formação geral acadêmica - de perspectiva linear, de luz e sombra. “Quando mostro a obra ‘A Fonte’, o mictório de Marcel Duchamp, há quem ainda diga ‘oxe, isso é arte?’. O senso comum precisa sair de seu lugar de conforto e incorporar outras coisas mais sutis. Quando essa descoberta é feita, é como se o mundo se renovasse”, descreve.

SERVIÇO:
Lançamento de “Arte Contemporânea no Recife dos anos 1990”, de Jane Amorim
Quando: Amanhã, às 16h
Onde: Museu da Cidade do Recife (Praça das Cinco Pontas, s/n, São José)
Informações: 3355-9558

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