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Livro sobre Terça Negra retrata duas décadas de História

A educadora e militante Lúcia dos Prazeres lança, nesta terça (17), no Pátio de São Pedro, sua obra que trata da importância do evento para a cultura afro pernambucana

Lúcia dos Prazeres é militante do Movimento Negro e uma das idealizadoras da Terça NegraLúcia dos Prazeres é militante do Movimento Negro e uma das idealizadoras da Terça Negra - Foto: Rafael Medeiros/Divulgação

Música, dança, espiritualidade, troca. Há 20 anos, a Terça Negra se configura como um espaço sagrado, profano e político, trazendo visibilidade para o povo negro. Hoje, abrindo as comemorações do vigésimo aniversário do evento, a educadora Lúcia dos Prazeres vai lançar o livro "Terça Negra no Recife: narrativas sobre dança, música, espiritualidade e sagrado". Na ocasião, além das apresentações do Maracatu Estrela Dalva, do grupo de samba reggae Raízes de Quilombo e do Afoxé Omô Inã, serão conferidos certificados a personalidades que se destacaram durante o período.

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Lúcia, que é uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU) em Pernambuco, há quatro décadas, é também uma das idealizadoras da Terça Negra. "Ela nasceu do Movimento Negro, e o nosso objetivo era que existisse um espaço onde os grupos das comunidades pudessem se encontrar para apresentar seus trabalhos, suas produções culturais", relembra.

Livro foi resultado da pesquisa de mestrado de Lúcia dos Prazeres

Livro foi resultado da pesquisa de mestrado de Lúcia dos Prazeres - Crédito: Rafael Medeiros/Divulgação

Aos poucos, conforme comprova sua pesquisa (realizada na Universidade Católica de Pernambuco, dentro do mestrado em Ciências da Religião), a dimensão do evento foi se tornando cada vez maior. Os grupos passaram a valorizar seus trabalhos, o que se reflete nas vestimentas cada vez mais elaboradas e no crescimento quantitativo dos afoxés, que passaram de cerca de 5 para mais de 35, e dos grupos de samba reggae, que eram dois e deram origem a um coletivo.

Mais de 300 grupos diferentes, incluindo apresentações de hip hop, coco e mangue beat, passaram pelo Pátio de São Pedro desde a criação da Terça Negra, ajudando a fomentar o orgulho e com a intenção de diminuir o preconceito em relação à cultura negra ancestral.

Lúcia dos Prazeres conta a longa história da presença negra no Pátio de São Pedro

Lúcia dos Prazeres conta a longa história da presença negra no Pátio de São Pedro - Crédito: Rafael Medeiros/Divulgação

Através da expressão da mitologia africana pelos grupos de afoxé, vem-se fortalecendo também o caráter sagrado das vivências de quem participa. "O sagrado vai além da religiosidade, é qualquer movimento interior que lhe leva à transcendência", pontua. 

Lúcia explica que o Pátio de São Pedro tem uma longa história, nesse sentido. Desde o século 19, ali vêm ocorrendo atividades culturais envolvendo a população negra, como quermesses e encontros, e lá existiu uma casa de Candomblé dedicada à orixá Oyá, também conhecida como Iansã. "Ela será objeto de nossas próximas pesquisas", adianta ela.




Dividido em cinco capítulos, o livro de Lúcia costura as narrativas de personagens que transformaram a experiência do povo negro do Recife e, ao mesmo tempo, tiveram suas histórias fortalecidas pela Terça Negra. A partir do evento, diversas iniciativas que valorizam a identidade e a herança negras vêm se multiplicando em toda a região metropolitana. "Depois de todos estes anos de existência, as pessoas passaram a entender que a Terça Negra não é só um espaço de expressão da arte. É um espaço político", destaca.

Serviço
Lançamento do livro "Terça Negra no Recife: narrativas sobre dança, música, espiritualidade e sagrado", de Lúcia dos Prazeres
Quando: terça-feira, 17 de dezembro, a partir das 19h
Onde: Pátio de São Pedro, bairro de Santo Antônio, Recife 

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