Livro sobre Terça Negra retrata duas décadas de História
A educadora e militante Lúcia dos Prazeres lança, nesta terça (17), no Pátio de São Pedro, sua obra que trata da importância do evento para a cultura afro pernambucana
Música, dança, espiritualidade, troca. Há 20 anos, a Terça Negra se configura como um espaço sagrado, profano e político, trazendo visibilidade para o povo negro. Hoje, abrindo as comemorações do vigésimo aniversário do evento, a educadora Lúcia dos Prazeres vai lançar o livro "Terça Negra no Recife: narrativas sobre dança, música, espiritualidade e sagrado". Na ocasião, além das apresentações do Maracatu Estrela Dalva, do grupo de samba reggae Raízes de Quilombo e do Afoxé Omô Inã, serão conferidos certificados a personalidades que se destacaram durante o período.
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Livro foi resultado da pesquisa de mestrado de Lúcia dos Prazeres - Crédito: Rafael Medeiros/Divulgação
Mais de 300 grupos diferentes, incluindo apresentações de hip hop, coco e mangue beat, passaram pelo Pátio de São Pedro desde a criação da Terça Negra, ajudando a fomentar o orgulho e com a intenção de diminuir o preconceito em relação à cultura negra ancestral.
Através da expressão da mitologia africana pelos grupos de afoxé, vem-se fortalecendo também o caráter sagrado das vivências de quem participa. "O sagrado vai além da religiosidade, é qualquer movimento interior que lhe leva à transcendência", pontua.
Lúcia explica que o Pátio de São Pedro tem uma longa história, nesse sentido. Desde o século 19, ali vêm ocorrendo atividades culturais envolvendo a população negra, como quermesses e encontros, e lá existiu uma casa de Candomblé dedicada à orixá Oyá, também conhecida como Iansã. "Ela será objeto de nossas próximas pesquisas", adianta ela.
Dividido em cinco capítulos, o livro de Lúcia costura as narrativas de personagens que transformaram a experiência do povo negro do Recife e, ao mesmo tempo, tiveram suas histórias fortalecidas pela Terça Negra. A partir do evento, diversas iniciativas que valorizam a identidade e a herança negras vêm se multiplicando em toda a região metropolitana. "Depois de todos estes anos de existência, as pessoas passaram a entender que a Terça Negra não é só um espaço de expressão da arte. É um espaço político", destaca.
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