Madonna ultrapassou a barreira dos estereótipos com 'Ray of Light'

Lançado pela artista em 1998, disco prova sua atemporalidade e força, numa época da carreira em qu a diva pop investiu em novas sonoridades

Madonna estava grávida pela primeira vez na época da gravação do trabalho musical, que flertava com a cultura oriental e os efeitos dos sintetizadoresMadonna estava grávida pela primeira vez na época da gravação do trabalho musical, que flertava com a cultura oriental e os efeitos dos sintetizadores - Foto: Mario Testino/Reprodução Internet

Madonna sempre esteve na mira de críticas e xingamentos, e inúmeros são os motivos para isto. De não saber cantar à mulher promíscua em excesso, a "Rainha do Pop" deixava claro que estas ofensas não a incomodavam, e fazia o que bem entendia da sua música.

Tendo completado vinte anos na última quinta-feira (22), o disco "Ray of Light" segue sendo o exemplo de álbum que, por demonstrar o controle de um artista sobre sua arte, serve como modelo perfeito de um trabalho que revela uma nova fase de carreira. Vinda de momentos controversos - dos lançamentos de disco, documentário e livro com explícitas referências sexuais -, Madonna apresenta então uma faceta inédita: a de mãe.

"Era a primeira vez que ela estava grávida. É um álbum materno, extremamente feminino, com uma sonoridade particular e nunca antes vista em sua carreira", comenta Mariana Lins, Doutoranda pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do campo da Comunicação.

Mariana, que teve como tema de sua dissertação de Mestrado as performances de Madonna, esmiuça as influências do álbum. "Você percebe um frescor vindo das músicas, o flerte com culturas orientais, a utilização de elementos sintetizadores que estavam em alta na década de 1990", diz a pesquisadora. A atemporalidade e a força do disco são evidentes nos dias de hoje, quando a cantora Adele admitiu que o "Ray of Light" foi importante na composição do seu álbum mais recente, "25", que deu a ela cinco prêmios no Grammy do ano passado.

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Como a maioria dos trabalhos de Madonna, este não foi diferente em falar da época em que foi concebido. "A cultura pop tem este estigma em retratar jovialidade ao extremo, com músicas chiclete e atitudes um tanto infatilizadas. Madonna apresentou o seu momento, o seu agora, rompendo com este estereótipo", fala Thiago Soares, professor da UFPE. O pesquisador também destaca o fato de a crítica especializada ter sido praticamente unânime em aclamação. "Ela nunca teve uma grande voz, e pela primeira vez apresentava grandes baladas românticas onde elevava sua potência vocal ao extremo", ressalta.

Embora tenha perdido o Grammy de Álbum do Ano em 1998 - para o igualmente sublime "The Miseducation of Lauryn Hill" -, o "Ray of Light" resiste ao tempo se destacando na discografia da cantora. "Madonna ainda não produziu nada que se compare a este trabalho, e este segue como o ponto de mudança que é essencial na vida de um artista pop", elogia Thiago. Mesmo possuindo uma trajetória à frente de pautas importantes como a emancipação feminina, o momento em que Madonna se torna mãe não anula seus feitos. "É legítimo. Com este disco, ela provou que também pode dar à luz, partir para uma sonoridade considerada estranha, citar religiões completamente diferentes das ocidentais. Madonna pode fazer o que quiser", finaliza Mariana.

Box
Discos em estúdio

"Madonna" (1983)
"Like a Virgin" (1984)
"True Blue" (1986)
"Like a Prayer" (1989)
"Erotica" (1992)
"Bedtime Stories" (1994)
"Ray of Light" (1998)
"Music" (2000)
"American Life" (2003)
"Confessions on a dance floor" (2005)
"Hard Candy" (2008)
"MDNA" (2012)
"Rebel Heart" (2015)

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