Magiluth apresenta 'Apenas o fim do mundo' no Mamam

Novo espetáculo do grupo teatral pernambucano, escrito pelo dramaturgo francês Jean-Luc Lagarce, aborda relações familiares

Magiluth celebra seus 15 anosMagiluth celebra seus 15 anos - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

Após temporada de grande repercussão no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo, o Grupo Magiluth traz ao Recife o espetáculo "Apenas o fim do mundo". Comemorando seus 15 anos, o coletivo teatral pernambucano apresenta a peça - ainda inédita por aqui - no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, a partir desta quarta-feira (22), às 20h. As sessões vão até o dia 02 de junho, sempre de quarta a domingo.

Afeito à construção de dramaturgias próprias na maioria das suas montagens, o grupo desta vez abraça a obra de um autor estrangeiro. Escrito em 1990, pelo dramaturgo francês Jean-Luc Lagarce, o texto lança outro tipo de desafio para os artistas.

"Após 'Dinamarca' (2017), procurávamos algo que nos levasse a outro lugar da nossa criação. Estudamos muitos clássicos, até que a Giovana Soar, da Companhia Brasileira de Teatro, nos indicou esse texto, que foi certeiro naquilo que a gente buscava", conta o ator Giordano Castro.

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O enredo mostra o reencontro do escritor Luiz com sua família. Após anos de afastamento, ele retoma o contato com a mãe, o irmão e a irmã, com o objetivo de informá-los que está prestes a morrer. A volta ao lar faz com que problemas do passado retornem e a situação saia do controle. Segundo Giordano, a peça trouxe para o grupo a oportunidade de rever questões internas.

"A gente estava trabalhando muito, se distanciando, e esse texto fala muito sobre coisas que temos a dizer para o outro e acabamos deixando guardado. Isso uniu novamente o Magiluth, neste momento que é de rever nossa trajetória", afirma.

Além de assinar a tradução do texto, Giovana Soar dirige o espetáculo, em conjunto com Luiz Fernando Marques, o Lubi, do Grupo XIX de Teatro. Apesar da colaboração externa, a montagem seguiu a metodologia de trabalho característica do grupo recifense. O processo de criação envolveu cinco residências artísticas em diferentes locais do Brasil, com ensaios abertos ao público. Um dos conceitos empregados na encenação é o de site specific, em que a obra é construída a partir do ambiente que ela ocupa.

"No Mamam nós vamos utilizar diferentes espaços. Imageticamente, será como se o público estivesse andando pela casa dessa família. Os cômodos vão se formando a partir de pequenas referências, como um objeto apenas. É como se a gente pudesse testemunhar a intimidade dessas pessoas", comenta Lubi.

Para o encenador, a boa repercussão que a peça teve na capital paulista, com direito a sessões extras, também tem a ver com a identificação com o tema. "As pessoas fazem muitas pontes com o Brasil. Nesse momento mais polarizado estamos vivendo, muitas famílias se quebraram ou tiveram que ter conversas que nunca tiveram antes. Ouvimos muitas narrativas desse tipo dos espectadores", compartilha.

"Apenas o fim do mundo" não trata de temáticas políticas de forma direta, como em trabalhos anteriores do Magiluth, mas o tema está presente na peça de maneira implícita. "Pensar na família é pensar em política, sobretudo na realidade brasileira, solidificada em cima da ideia de patriarcado. Há ainda uma abordagem importante sobre o vírus HIV. O Lagarce viveu a primeira epidemia, acabou morrendo em 1995, e coloca um pouco disso no texto. Estamos vivendo hoje, infelizmente, uma nova explosão de casos de infecção entre jovens. Então, há esse aspecto de atualidade", comenta Giordano.

O elenco conta com os atores Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sergio Cabral e Pedro Wagner. Também faz parte da atual formação do coletivo Lucas Torres, que assume o posto de assistente de direção. Ao mesmo tempo em que circula com seu novo trabalho, a equipe já mira novos projetos. "Estamos no processo de pesquisa para um espetáculo de rua, baseado em 'Morte e vida Severina'. Também temos um projeto em cima da obra do poeta Miró, que foi aprovado no Funcultura e começamos a ser desenvolvido no próximo ano", adianta.

Serviço

Espetáculo "Apenas o fim do mundo"
De 22 de maio até 2 de junho, de quarta-feira a domingo, às 20h
No Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Rua da Aurora, 265, Boa Vista)
R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-6871

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