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Maitê Proença encena no Recife a peça "A mulher de Bath"

Espetáculo traz como protagonista Alice, uma personagem libertária, criada em 1380 pelo escritor Geoffrey Chaucer. Além de estrelar o espetáculo, Maitê Proença é responsável pela adaptação do texto

"A mulher de Bath""A mulher de Bath" - Foto: Matheus José Maria/Divulgação

Uma mulher libertária fala com franqueza sobre a vida sexual, seus desejos e rancores. Por mais contemporânea que aparente ser, a descrição é de uma personagem criada na Idade Média. À frente de seu tempo, "A mulher de Bath" é a protagonista de um dos contos do inglês Geoffrey Chaucer, escrito em 1380, e que chega aos palcos brasileiros por meio de uma peça homônima. Celebrando seus 40 anos de carreira, a atriz Maitê Proença traz o espetáculo ao Recife, em única sessão, neste domingo (4), às 20h, no Teatro RioMar.

Ambientada em uma taberna à beira da estrada, a montagem aborda as questões de Alice, uma viúva de cinco maridos, cheia de vida e em busca do sexto. "A mulher de Bath" gosta da vida, da rua, dos homens, do sexo, da bebida, da alegria. Ela fala coisas que as mulheres dizem hoje, igual, só as circunstâncias mudaram. A graça dela está em contar também os podres das mulheres, em vez de só atacar os homens", afirma Maitê, que considera a personagem uma pioneira do feminismo.

O texto que a própria atriz adaptou para o teatro faz parte da obra inacabada "Os contos da Cantuária", publicada pela primeira vez em 1475. Traduzido para o português por José Francisco Botelho, é considerado um clássico da literatura de língua inglesa. O que despertou o interesse da artista, no entanto, foi a sua atualidade.

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"Quando li, percebi que estava pronto para ser dito, e aquilo era atualíssimo! Então chamei Amir Haddad, o diretor mais contemporâneo que conheço, e que trabalha com teatro de rua, para trazer o texto ainda mais para perto de nós", conta.

O encenador mineiro, fundador do grupo Tá na Rua e vencedor de vários prêmios, optou por aproximar a plateia dos artistas, deixando à mostra bastidores como a preparação da cena, o jogo de luz e a operação do som. A montagem não chega a ser um monólogo, uma vez que o ator e músico Alessandro Persan divide o palco com Maitê. "Ele opera o som de cima do palco, faz a contrarregragem e, às vezes, dialoga comigo. O centro é mesmo essa mulher livre, solta, libertária, cômica, bem falante e desbocada. Mas o Alê está ali. Não estou totalmente só", explica.

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Trajetória

Ao longo de quatro décadas, Maitê Proença atuou nos palcos, nas TV e no cinema. Protagonizou montagens teatrais e filmes de diretores reconhecidos, escreveu peças e participou de mais de 20 novelas. "O desafio é que o grau de exigência vai aumentando com os anos e, assim, eu percebo que, cada vez, tenho mais para aprender. Graças a Deus. Cada dia faço meu espetáculo de um jeito, tenho mais projetos que gostaria de executar, mais lugares que quero conhecer. A cada momento estou mais interessada na vida", compartilha.

Demitida em 2016, a atriz paulista está processando a TV Globo, onde trabalhou por 37 anos e participou de produções como "Gabriela" (2012) e "O salvador da pátria" (1989). Apesar da ação judicial, a artista assegura que não guarda rancores por conta do desligamento. Afastada da telinha desde a série "Me chama de Bruna", exibida pela Fox em 2017. "Voltarei quando for a hora. Tenho dois belos projetos em vias de captação para serem exibidos assim que se consiga um mínimo necessário. É coisa de real valor", adianta.

Serviço:
"A mulher de Bath"
Neste domingo (4), às 20h
No Teatro RioMar (Av. República do Líbano, 251, 4º piso - Shopping RioMar)
De R$ 50 (balcão/meia-entrada) a R$ 120 (plateia baixa/inteira)
Mais informações no site do teatro

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