Maneira sutil para abordar conflito amoroso

Os ingressos custam R$ 50 e R$ 25 (meia-entrada).

Deputados estaduais de oposição cumprem a sexta edição do Pernambuco de VerdadeDeputados estaduais de oposição cumprem a sexta edição do Pernambuco de Verdade - Foto: Arthur Marrocos/Divulgação

 

O ano é 1938 e o cenário é uma base militar no Peru. Dois soldados do Exército desenvolvem uma relação próxima de cumplicidade, admi­ração e respeito em meio a um ambiente hostil. É seguin­­do esse fio narrativo que se desenrola a peça “Enquan­to todos dormem”, da compa­nhia carioca Maca Entretenimento, que chega ao Recife para três apresentações no Valdemar de Oliveira, nesta sexta-feira (28) e sábado (29), às 21h, e no domingo (30), às 20h. Os ingressos custam R$ 50 e R$ 25 (meia-entrada).
No palco são dois a­to­res, João Grott, que estreia aqui no Recife no papel de Pe­dro Andrade, e Thiago Cazado, que também assina o tex­to - décimo de sua carreira - e direção da peça, interpretando Luíz Gustavo Silva. O primeiro é ingênuo e possui um frescor de quem está conhecendo o mundo pela primeira vez. O segundo por sua vez é vanguardista, desencanado e bem resolvido com o que quer. Ao longo dos sessenta minutos de espetáculo, as lembranças vividas por Pedro, ao lado de seu parceiro, Luíz, são trazidas à cena.

“Os personagens são bastante antagônicos em diversos aspectos. Provavelmente, não se encontrariam se não estivessem juntos no contex­to da guerra, que foi essencial nessa peça. O que fascina um em relação ao outro é essa diferença. Um vê no outro algo que ao mesmo tem­po pira e assusta um pou­co. Essa dualidade magnética é o que dá vida a esse encontro”, explica João Grott.

O formato teatral tradicional, tendo apenas duas pessoas em cena, é uma maneira de fazer com que o destaque da montagem fique em ci­ma das personagens. “O mol­de dessa peça é mais clássico, que consegue contar uma história dentro de um contexto sem necessidade de outros personagens. É uma nar­rativa coletiva, mas ao mes­mo tempo é algo só deles e isso é suficiente”, afirma João.

Este é o segundo espetáculo produzido pela Maca sobre diversidade sexual. A primei­ra peça foi “Relatos não oficiais sobre o andar 43”. “O Thia­go conseguiu colocar em ‘Enquanto todos dormem’ essa discussão de uma maneira muito inteligente. O assun­to não é abordado de uma for­ma estruturalista e sim de um jeito natural, com uma suti­leza que emociona. Tem uma coisa ali que eles encontra­ram um no outro, que vai mui­to além de um companhei­rismo. É um amor realmen­te forte e os dois lidam com isso de maneira diferente. Se hoje a gente enfrenta pre­conceito na sociedade, que se diz de certa maneira tolerante, naquele contexto era muito pior, era algo marginalizado. O valor social do espetáculo está aí”, comenta Grott.

 

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