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Martinho da Vila: 82 anos de vida e mais de cinco décadas de samba

Compositor carioca celebra 82 anos nesta quarta (12), com lançamento de projeto apresentado há dois anos no Teatro Municipal do Rio de Janeiro

Martinho da Vila celebra 82 anos com lançamento de projeto 'Martinho 8.0'Martinho da Vila celebra 82 anos com lançamento de projeto 'Martinho 8.0' - Foto: Diego Baravelli

Da plenitude dos seus 82 anos, celebrados nesta quarta-feira (12), Martinho da Vila esbanja disposição. Seja para falar sobre música, falar do Recife e "rir" do nosso Carnaval ou se autoproclamar "do samba", gênero que o consagra como um dos maiorais e o coloca como referência desde os distantes 1969, com o primeiro álbum (Martinho da Vila), o primeiro de tantos outros voos altos que deu como compositor e entusiasta do ritmo.

Foi nessa época que emplacou clássicos como "Casa de Bamba" e "Quem é do Mar Não Enjoa" e assim segue, como ele mesmo ressaltou "cumprindo a missão de alegrar pessoas e me divertir também". Dois anos após a apresentação memorável do "Martinho 8.0 - Bandeira da Fé: Um Concerto Pop - Clássico (Ao Vivo)", no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, ocasião em que suas oito décadas de vida foram comemoradas, o projeto chega neste 12 de fevereiro às plataformas digitais e "parabeniza" o sambista carioca, ao mesmo tempo em que presenteia os amantes do ritmo. "Veio a calhar, já que hoje faço aniversário. O show foi registrado pela Sony que agora resolveu lançar e eu achei ótimo", comemora.

Foi com cancioneiro alusivo a questões sociais e apologias a nomes como Zumbi dos Palmares, que Martinho construiu o seu samba e o desdobrou em ciclos que permeiam seu cancioneiro, passando pelo samba-enredo - que o diga a escola da qual é presidente de honra, a Vila Isabel - chegando ao choro, bossa-nova e outros tantos estilos que acompanham suas composições, premissas intrísecas também ao disco comemorativo dos 80 e agora 82 anos, que traz desde a mais recente "Devagar Devagarinho" até "Pequeno Burguês" listada no vinil da década de 1960, entre as doze faixas que compõem o projeto.

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"Não tenho estilo definido, embora seja caracterizado como 'o cara do samba'. Só que nesses mais de cinquenta discos, poucos são os que só têm samba, porque gosto de misturar culturas, gosto dos sons internacionais, os africanos... Até em francês já gravei", conta Martinho, durante conversa com a Folha de Pernambuco, ocasião em que reforçou a importância de levar aos palcos o viés "político" que deve (deveria) cercar o artista.



"Sempre gostei de botar umas coisas da memória, porque acho que uma das funções do artista é passar mensagens, isso faz parte de mim, gosto de passear por inteiro no palco, que é o melhor lugar para mim. O artista pode até começar fazendo o que não gosta, para tentar ganhar o público, vale à pena, mas só se for no início, depois ele não pode mais ficar fazendo isso, tem que trabalhar com coisas que ele ache verdadeiras e considere importantes para enriquecer a música e cobrir as mentes", afirma.

“Como vai essa minha terra aí?"

"Vou te falar que Recife e Olinda têm o melhor Carnaval do Brasil. É diversificado, tem um bloco de frevo fazendo um ritmo acelerado e aí entra um grupo com outro ritmo e se encontram e continuam tocando, passam um pelo outro. É maracatu, é ciranda e todo mundo toca o outro, é muito bom. Como vai essa minha terra aí?", inebria-se Martinho ao falar sobre a Folia de Momo no Estado, ocasião em que aproveitou para entoar versos de 'Cirandeira' - canção feita por Teca Calazans, no início da década de 1960, para homenagear a artista pernambucana - e relembrar Lia de Itamaracá, a quem ele chamou de "lenda".

"Ela é de verdade, é contemporânea, mas eu cheguei a pensar que era uma lenda. Ouvia os versos 'essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá' e pensava que era uma canção centenária, distante, mas quando a conheci, me deparei com uma menina e que se mantém com todo gás", observa Martinho que, indagado sobre o que lhe falta fazer na inteireza dos 82 anos e mais de cinco décadas de carreira, não titubeia em afirmar que até já fez algumas coisas (muitas coisas) mas ainda faltam outras tantas. "Acho que ainda tenho muito o que fazer, e vou fazer, só não sei ainda o que é. Enquanto tiver com a cabeça funcionando e com disposição, eu vou fazendo", arremata um dos grandiosos octogenários do samba (e da música brasileira).

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