'Mauritsstadt 2': pérolas da música pernambucana estão nas plataformas digitais

Lançamento do álbum duplo de projeto iniciado há treze anos reúne mestres da cultura popular com músicos e produtores contemporâneos

O rabequeiro Luiz Paixão é um dos mestres recriados no projetoO rabequeiro Luiz Paixão é um dos mestres recriados no projeto - Foto: Lia Menezes/Divulgação

Os amantes da música pernambucana podem conferir, de graça, o novo álbum duplo do projeto "Mauritsstadt 2" - que vai estar disponível nas plataformas digitais há uma semana. O disco tem direção musical e produção executiva a cargo do baterista Pupillo e de Marcelo Soares (do estúdio Muzak).

"É um projeto antigo, que tinha ficado parado por conta de uma série de questões e só pôde ser lançado agora", explica Marcelo. Lançado treze anos após o surgimento do álbum duplo "Mauritsstadt Dub: alteradores de estado", o novo disco pretende fazer uma ponte entre a música de raiz e as novas texturas da música local.

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Batizado em homenagem ao Recife ("cidade maurícia" por conta de Nassau, na época da ocupação holandesa), "Mauritsstadt 2" foi patrocinado pelo Sistema de Incentivo à Cultura da Cidade do Recife e traz pérolas compostas por nomes como Tavares da Gaita, Maracatu Estrela Brilhante, Zé de Teté, Luiz Paixão, Sagrama, Erasto Vasconcelos, Coco de Raízes de Arcoverde, Arlindo dos Oito Baixos, Orquestra Popular do Recife e João Paulo e Barachinha, promovendo o diálogo com artistas atuais como o próprio Pupillo e também Turbo Trio, Chico Correa, Hurtmold, Yuri Queiroga, Maquinado, Rica Amabis, Buguinha Dub, Lucas Santanna, Dj Dolores e Skank.

Ao contrário do primeiro CD, feito em 2005, no qual os mestres gravaram faixas especialmente para o projeto, o álbum é uma espécie de antologia retirada de vários discos, combinada a releituras mais livres que trazem os originais para a contemporaneidade. "A própria compilação, em si, já foi uma coisa muito bacana, ainda mais sob a perspectiva de que é uma música consumida por poucos", aponta Marcelo.

"É uma produção de muita importância, tanto sob o ponto de vista estético, como dos artistas enquanto intérpretes". Ele ainda brinca, ressaltando a certeza de que as faixas serão comparadas e parte do público vai gostar mais do original, e outra, da nova versão. A intenção da coletânea, porém, é ampliar o público da música de raiz, da mesma maneira que aconteceu nos anos 1990 através do trabalho de bandas como Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre, que trouxeram mais destaque para os mestres.

Registros raros

Alguns dos registros fonográficos são raros; Marcelo destaca, por exemplo, "Escadaria", com Arlindo dos Oito Baixos. "Outros artistas gravaram essa música, como Dominguinhos, mas a versão de Arlindo é sensacional", afirma.



Este também é o caso de "Forró Arengueiro", de Tavares da Gaita, que faleceu em 2009 e lançou um único álbum, "Sanfona de Boca", seis anos antes, e dos poetas da Zona da Mata Norte João Paulo e Barachinha, que em 2008 participaram de uma coletânea organizada pelo músico Siba Veloso.

"Mauritsstadt 2" pode ser baixado gratuitamente nas plataformas Spotify, Deezer e ITunes.

 

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